Como calcular o LMI (Limite Máximo de Indenização) ideal para sua empresa?

Como calcular o LMI (Limite Máximo de Indenização) ideal para sua empresa?

Você contratou um seguro empresarial achando que estava protegido, mas na hora do sinistro descobriu que a indenização cobriu apenas metade do prejuízo. Frustante, não é? Esse cenário acontece com mais frequência do que deveria — e o vilão costuma ser um erro no cálculo do LMI.

O LMI (Limite Máximo de Indenização) é o valor máximo que a seguradora pagará em caso de sinistro coberto. Para calculá-lo corretamente, sua empresa precisa somar o valor de reposição de todos os ativos (prédio, máquinas, estoques e móveis) pelo "valor de novo", e não pelo valor contábil depreciado. Em seguros de Responsabilidade Civil, o LMI — frequentemente chamado de LMG (Limite Máximo de Garantia) — deve ser calculado com base na estimativa do maior dano potencial a terceiros.

Parece simples, mas os detalhes fazem toda a diferença. Vamos destrinchar esse cálculo para que você não caia na armadilha do subseguro.

LMI vs. Valor em Risco: entenda a diferença crucial

Aqui mora um dos maiores mal-entendidos do mundo dos seguros empresariais. Muitos gestores acreditam que o patrimônio total da empresa é automaticamente o limite que está protegido. Não funciona assim.

O Valor em Risco (VR) representa a soma de tudo o que sua empresa possui — imóveis, equipamentos, estoque, móveis. Já o LMI é a fatia desse valor que você decide proteger ao contratar a apólice. É como se você dissesse à seguradora: "desse bolo todo, quero garantia até essa fatia aqui".

O problema surge quando você subestima o tamanho do bolo. Se o seu LMI for inferior ao Valor em Risco real em apólices de "Risco Proporcional", sua empresa vira autosseguradora de parte do prejuízo. Traduzindo: você terá que tirar do próprio bolso a diferença entre o que a seguradora paga e o valor real do dano.

Imagine que seu estoque vale R$ 800 mil, mas você contratou um LMI de apenas R$ 400 mil para economizar no prêmio. Um incêndio destrói metade do estoque (R$ 400 mil de prejuízo). Você pensa: "tranquilo, tenho R$ 400 mil de limite". Mas a conta não funciona assim quando há subseguro.

O perigo do subseguro e a regra de proporcionalidade

Aqui está a parte que ninguém te conta na hora da venda: se você declarar um valor menor do que o patrimônio real para pagar menos prêmio, está jogando contra si mesmo.

A Circular SUSEP 621/2021 deixa clara a aplicação da regra de proporcionalidade em casos de subseguro. Na prática, funciona assim:

Exemplo real: sua empresa possui ativos no valor de R$ 1 milhão, mas você contratou um LMI de apenas R$ 500 mil (50% do valor real). Um incêndio causa danos de R$ 100 mil. Você imagina que receberá os R$ 100 mil inteiros, já que está dentro do limite contratado, certo? Errado.

A seguradora vai aplicar a proporcionalidade: como você segurou apenas 50% do patrimônio, receberá apenas 50% da indenização — ou seja, R$ 50 mil. Os outros R$ 50 mil saem do seu caixa.

A fórmula é simples:

Indenização = (Prejuízo × LMI Contratado) ÷ Valor em Risco Real

Essa regra existe para evitar que empresas contratem coberturas insuficientes só para economizar no prêmio. O resultado? Você paga menos mensalmente, mas assume um risco gigantesco de ficar descoberto justamente quando mais precisa.

O subseguro não é apenas um erro técnico — é uma bomba-relógio financeira que pode comprometer a continuidade do seu negócio após um sinistro.

Passo a passo para definir o LMI por modalidade

Cada tipo de seguro empresarial exige uma abordagem específica na hora de calcular o LMI. Vamos ao que interessa:

Seguro Patrimonial

Aqui você precisa de um inventário atualizado e detalhado. Some:

  • Valor de reconstrução do imóvel (atenção: desconsidere o valor do terreno, pois terra não queima nem desaba)
  • Equipamentos e máquinas pelo valor de reposição (quanto custaria comprar novos hoje)
  • Estoque pelo preço de reposição
  • Móveis, utensílios e benfeitorias

A pegadinha está em usar valores contábeis depreciados. Aquela máquina que na contabilidade vale R$ 20 mil pode custar R$ 80 mil para ser substituída por uma nova. Use sempre o valor de novo.

Seguro de Responsabilidade Civil

O cálculo aqui é mais estratégico do que matemático. Você precisa estimar o maior dano potencial que sua operação poderia causar a terceiros. Considere:

  • Histórico de processos no seu setor
  • Volume de circulação de pessoas no estabelecimento
  • Tipo de atividade (uma indústria química tem potencial de dano maior que um escritório)
  • Valor médio de indenizações trabalhistas ou cíveis relacionadas à sua atividade

Empresas de tecnologia, por exemplo, costumam contratar LMIs entre R$ 1 milhão e R$ 5 milhões para cobrir danos decorrentes de vazamento de dados ou falhas em sistemas.

Lucros Cessantes

Este é o seguro que protege seu faturamento durante a interrupção das atividades após um sinistro. O cálculo deve considerar:

  • Margem de Contribuição (receita menos custos variáveis)
  • Despesas fixas que continuam mesmo com a operação parada (aluguel, salários, contas)
  • Período estimado de paralisação (quanto tempo levaria para reconstruir e retomar)

Se sua empresa fatura R$ 300 mil/mês com margem de 40% e despesas fixas de R$ 80 mil, seu lucro cessante mensal seria de R$ 200 mil (R$ 120 mil de margem + R$ 80 mil de despesas). Se a estimativa de paralisação é de 6 meses, seu LMI deveria ser de R$ 1,2 milhão.

Tipos de contratação: quando a regra de proporcionalidade não se aplica

Nem todo seguro funciona com aquela regra cruel do subseguro. Existem duas modalidades principais de contratação, e entender a diferença pode salvar sua indenização:

A diferença é gigantesca. No Primeiro Risco Absoluto, se você tem R$ 1 milhão em ativos e contrata um LMI de R$ 500 mil, um prejuízo de R$ 100 mil será pago integralmente — sem aplicação de proporcionalidade. Você só fica descoberto se o dano ultrapassar o limite contratado.

Por isso, coberturas como roubo e responsabilidade civil geralmente são contratadas em primeiro risco. Afinal, você não consegue prever com exatidão quanto um ladrão vai levar ou qual será o valor de um processo judicial.

O papel da Cláusula de Valor de Novo

Sabe aquele computador que você comprou há cinco anos por R$ 3 mil e que hoje vale R$ 800 na contabilidade? Se ele for destruído em um incêndio, você não quer receber R$ 800 — você quer dinheiro suficiente para comprar um equipamento novo que cumpra a mesma função.

A Cláusula de Valor de Novo garante exatamente isso. Ela assegura que a indenização será calculada com base no preço de reposição por itens novos, e não pelo valor depreciado.

Sem essa cláusula, você pode receber uma indenização tecnicamente correta, mas completamente insuficiente para retomar suas operações. É a diferença entre receber R$ 50 mil que mal compram máquinas usadas e receber R$ 200 mil para reequipar sua linha de produção com equipamentos novos.

Na hora de calcular seu LMI, sempre considere valores de reposição atuais, não históricos ou contábeis. Caso contrário, mesmo com a apólice em dia, você ficará descoberto na hora que mais precisar.

Revisão anual é a melhor proteção contra o subseguro

O LMI não é um número que você define uma vez e esquece. Sua empresa evolui, compra equipamentos, aumenta o estoque, reforma o espaço. Enquanto isso, a inflação corrói o poder de compra da sua cobertura.

Um LMI de R$ 500 mil contratado há três anos pode não cobrir nem R$ 400 mil em valores atuais, considerando a variação do IPCA e do IGP-M. Sem falar que aquele novo maquinário de R$ 150 mil que você adquiriu no ano passado provavelmente não está contemplado na apólice antiga.

A solução é simples: revisão anual obrigatória. Todo ano, antes da renovação, faça um inventário atualizado e compare com os valores da apólice. Se necessário, solicite um endosso para ajustar o LMI. Sim, o prêmio vai aumentar — mas é infinitamente melhor pagar um pouco mais agora do que descobrir que está subsegurado quando o sinistro acontecer.

Pense no seguro como um equipamento de segurança que precisa de manutenção regular. Você não deixaria o extintor vencer, certo? O mesmo raciocínio vale para sua apólice.

Sua apólice atual está protegendo o valor real do seu negócio? Muitas empresas descobrem que estão subseguradas apenas na hora do sinistro — quando já é tarde demais. Fale com um especialista Lifebis para uma auditoria de apólice e tenha certeza de que seu LMI está correto.