
Reni Rezende
Sócio e Diretor de Operações da Lifebis e atualmente atuando como Partner da MDS Corretora de Seguros. Iniciou sua trajetória em 1989 na Bamerindus Seguradora, acumulando sólida experiência de mercado com passagem também pelo Grupo HDI.

É sábado à tarde. Seu melhor vendedor, aquele que bateu meta nos últimos seis meses consecutivos, está jogando futebol com os amigos. Um lance mal calculado, uma queda feia, e pronto: fratura exposta na perna. Cirurgia imediata, gesso, seis semanas de recuperação em casa, mais quatro semanas de fisioterapia.
O médico é claro: ele não poderá trabalhar pelos próximos 60 dias, no mínimo.
Agora pense na situação dele. O salário fixo dele é R$ 2.000, mas ele tira em média R$ 5.000 em comissões todo mês. Parado em casa, sem poder fazer visitas, sem poder fechar negócios, como ele vai pagar as contas? Como vai arcar com o aluguel de R$ 1.800, a prestação do carro, a escola dos filhos, o plano de saúde?
E tem mais: como fica a motivação dele para voltar forte quando se recuperar? Como fica a lealdade dele à empresa? E você, como gestor, vai ficar confortável sabendo que um funcionário excepcional está passando por dificuldades financeiras por causa de um acidente que nada tem a ver com o trabalho?
É exatamente aqui que entra a DIT - Diária por Incapacidade Temporária. Uma cobertura frequentemente ignorada nos seguros de vida empresariais, mas que na prática pode ser a mais importante para manter a qualidade de vida e a dignidade financeira dos seus colaboradores quando eles mais precisam.
Vamos começar pelo básico, com uma definição clara e sem jargões técnicos.
A DIT (Diária por Incapacidade Temporária) é uma cobertura do seguro de vida que paga uma indenização diária ao segurado para cada dia que ele ficar impossibilitado de trabalhar devido a um acidente ou, em algumas apólices mais completas, também por doença.
Funciona assim: na hora de contratar o seguro, a empresa escolhe qual será o valor da diária. As opções típicas variam entre R$ 50, R$ 100, R$ 150 ou R$ 200 por dia, mas podem ser personalizadas conforme a necessidade da equipe.
Quando o funcionário sofre um acidente e precisa se afastar do trabalho por recomendação médica, ele começa a receber esse valor diário da seguradora, todo dia, enquanto durar o afastamento (dentro dos limites da apólice, que geralmente vão até 365 dias por evento).
Exemplo prático:
Funcionário com DIT contratada de R$ 100 por dia sofre acidente que o afasta por 45 dias:
Esse dinheiro entra na conta do próprio funcionário, diretamente da seguradora, sem passar pela empresa. É uma renda complementar que ajuda a manter o padrão de vida enquanto ele se recupera.
Objetivo principal:
Manter o poder de compra e a dignidade financeira do colaborador durante a recuperação, garantindo que ele possa focar em se cuidar sem o estresse adicional de ver as contas se acumulando sem ter como pagar.
É uma rede de segurança financeira para aquele período vulnerável entre o acidente e o retorno ao trabalho, quando a renda naturalmente despenca mas as despesas continuam as mesmas (ou até aumentam, com medicamentos, fisioterapia, exames).
Uma das perguntas mais comuns quando apresentamos a DIT para empresários é: "Mas espera, o INSS não cobre isso? Por que eu preciso pagar por um benefício que o governo já oferece?"
A resposta é simples: porque o INSS, embora seja um direito importante, tem limitações sérias que deixam muitos trabalhadores em situação financeira complicada durante afastamentos.
A Realidade do Auxílio-Doença do INSS
Quando um trabalhador CLT se afasta por mais de 15 dias, ele pode solicitar o auxílio-doença (auxílio por incapacidade temporária) do INSS. Em teoria, isso deveria resolver o problema. Na prática, existem diversos obstáculos:
1. A Demora Burocrática
Para conseguir o benefício, o trabalhador precisa:
Não é raro que passem 30, 45 ou até 60 dias entre o acidente e o primeiro pagamento do INSS. Enquanto isso, as contas não param de chegar.
2. O Valor do Benefício
O auxílio-doença do INSS é calculado como 91% da média dos salários de contribuição. Parece razoável, mas:
Resultado: Muitos trabalhadores veem sua renda cair 30%, 40% ou até 50% durante o afastamento.
3. O Problema dos Autônomos e Sócios
Para autônomos, MEIs e sócios de pequenas empresas, a situação é ainda pior:
A Vantagem da DIT: O Complemento que Faz a Diferença
A DIT não substitui o INSS, ela complementa. E é exatamente nesse complemento que mora o valor.
Enquanto o INSS demora para aprovar e paga um valor reduzido, a DIT:
Exemplo real de como funciona na prática:
Vendedor comissionado:
Sem a DIT, ele teria recebido apenas R$ 3.600 em dois meses (R$ 1.800/mês do INSS). Com a DIT, ele mantém um padrão de renda próximo ao habitual, pode pagar todas as contas e voltar ao trabalho motivado, sem dívidas acumuladas.
Agora vamos olhar essa cobertura pela perspectiva do empresário, especialmente em pequenas e médias empresas onde as relações são mais próximas e pessoais.
A Pressão Moral e Financeira
Em PMEs, o dono conhece cada funcionário pelo nome. Conhece a história de vida, sabe quando o filho nasceu, sabe das dificuldades financeiras de cada um. Não são apenas números numa folha de pagamento, são pessoas com quem você convive diariamente.
Quando um funcionário leal, competente e dedicado sofre um acidente e você sabe que ele está passando dificuldades financeiras por causa do afastamento, surge uma pressão moral enorme. Você quer ajudar.
E muitos donos de PME acabam ajudando:
O Problema Financeiro Disso:
Essas atitudes, embora louváveis do ponto de vista humano, criam problemas sérios:
O Escudo Financeiro da DIT
Quando você tem DIT na apólice da empresa, toda essa pressão simplesmente desaparece.
O funcionário se acidenta, você imediatamente informa: "Fique tranquilo, o seguro vai pagar R$ 150 por dia enquanto você se recupera. Foca em se cuidar, quando voltar a gente retoma tudo."
A seguradora assume o papel de provedora desse suporte financeiro. Você não precisa tirar dinheiro do caixa, não cria precedente problemático, e o funcionário tem a segurança que precisa.
Benefício duplo:
Foco Especial: Equipes Comissionadas
A DIT é absolutamente crítica para vendedores, representantes comerciais, corretores e qualquer profissional cuja renda principal venha de comissões.
Esses profissionais geralmente têm um salário fixo baixo (às vezes apenas um salário mínimo) e dependem totalmente da sua performance para fazer renda. Quando estão afastados:
Para esse perfil, a DIT não é um "nice to have", é uma necessidade básica. É a diferença literal entre conseguir pagar as contas ou entrar em desespero financeiro.
E vendedores felizes, que sabem que a empresa se preocupa com eles, são vendedores leais, motivados e que vendem mais quando estão ativos.
Agora que você entendeu o que é e por que é importante, precisa conhecer uma regra fundamental de como a DIT funciona: a franquia.
A Regra dos 15 Dias
A maioria das apólices de DIT estabelece uma franquia de 15 dias. Isso significa que a DIT só começa a pagar a partir do 16º dia de afastamento.
Por que essa regra existe? Ela está alinhada com a legislação trabalhista brasileira:
A DIT foi desenhada para complementar essa estrutura, entrando justamente no momento em que o INSS assume (mas geralmente paga menos que o salário normal).
Exemplo de Timeline:
Funcionário sofre acidente no dia 1º de março:
Duração Máxima
As apólices geralmente estabelecem um limite máximo de diárias por evento, tipicamente:
Esse limite é mais que suficiente para cobrir a vasta maioria dos afastamentos por acidentes:
Se o afastamento ultrapassar esse período e a pessoa ainda não puder retornar ao trabalho, provavelmente estaremos falando de uma invalidez permanente, que é coberta por outra parte da apólice (IPA - Invalidez Permanente por Acidente).
Renovação do Limite
Importante: esse limite geralmente é por evento, não por ano. Se o funcionário teve um acidente, usou 60 dias de DIT, se recuperou completamente e voltou ao trabalho, o contador "zera". Se meses depois ele sofrer um novo acidente diferente, ele tem direito a um novo ciclo completo de diárias.
Carência
A maioria das apólices não estabelece período de carência para acidentes. Isso significa que se um funcionário é admitido, entra na apólice e no dia seguinte sofre um acidente, a DIT já está ativa.
Para doenças (quando a apólice cobre), pode haver carência de 30 a 180 dias, dependendo da seguradora.
A DIT é valiosa para qualquer funcionário, mas é absolutamente crítica para alguns perfis específicos. Se sua empresa tem essas categorias na equipe, a DIT deixa de ser opcional e passa a ser essencial.
1. Equipes Comerciais e de Vendas
Como já detalhamos, vendedores comissionados são o grupo que mais se beneficia da DIT:
Investir em DIT robusta para vendedores é estratégia de retenção inteligente.
2. Profissionais que Usam o Corpo para Trabalhar
Qualquer função onde a capacidade física é essencial:
Motoristas e Entregadores:
Técnicos de Campo:
Profissionais da Construção:
Profissionais de Saúde:
3. Sócios, Diretores e Autônomos
Esse é um grupo frequentemente esquecido, mas que talvez seja o que mais precisa da DIT:
Por que sócios precisam de DIT:
Para autônomos (MEI, freelancers):
A DIT para esse perfil funciona quase como um "seguro-desemprego privado", garantindo fluxo de caixa durante a recuperação.
4. Funcionários com Renda Acima do Teto do INSS
Qualquer profissional que ganhe acima do teto da previdência (atualmente ~R$ 7.800) sofrerá uma redução brutal de renda se depender apenas do auxílio-doença.
Um gerente que ganha R$ 12.000 e se afasta receberá no máximo R$ 7.000 e poucos do INSS. A DIT compensa essa diferença, evitando comprometimento do padrão de vida.
5. Funcionários com Dependentes Financeiros
Priorize DIT para quem tem:
Essas pessoas não têm margem para ver a renda cair 50%. Uma queda dessa pode significar tirar filho da escola, atrasar aluguel, cortar plano de saúde.
A DIT é, em muitos aspectos, a cobertura mais humanizada do seguro de vida empresarial. Enquanto a cobertura de morte protege contra a tragédia máxima e a invalidez permanente contra sequelas irreversíveis, a DIT cuida do dia a dia, das situações temporárias mas que podem causar estragos financeiros gigantescos.
Ela é a prova tangível de que a empresa se importa não apenas com cenários catastróficos, mas com a qualidade de vida cotidiana dos funcionários. É a empresa dizendo: "Se você se machucar, mesmo que seja fora do trabalho, vamos garantir que você possa se recuperar com tranquilidade financeira."
O impacto disso no engajamento, na lealdade e na retenção de talentos é difícil de quantificar, mas é real. Funcionários que sabem que estão protegidos trabalham mais tranquilos, são mais produtivos, faltam menos, e pensam muito antes de aceitar propostas da concorrência.
Para gestores de PME, a DIT resolve aquele dilema moral de "ajudar ou não ajudar" o funcionário afastado. Com a DIT na apólice, você pode ajudar de forma estruturada, previsível, justa e sem comprometer o caixa da empresa.
E o custo? Surpreendentemente baixo. Adicionar DIT de R$ 100/dia a uma apólice empresarial geralmente acrescenta apenas R$ 3 a R$ 8 por funcionário por mês. É centavos por dia para uma proteção que pode valer milhares de reais quando acionada.
Quer entender melhor a diferença entre uma incapacidade temporária (que a DIT cobre) e uma invalidez permanente (que entra em outra cobertura)?
Sua equipe de vendas, operacional ou técnica está descoberta para afastamentos temporários?
Você pode estar perdendo funcionários valiosos ou vendo sua produtividade cair porque as pessoas voltam ao trabalho antes de estarem completamente recuperadas, com medo de perder renda.
A Lifebis especializa-se em estruturar apólices sob medida para PMEs, com coberturas que realmente fazem diferença no dia a dia. A DIT é uma das nossas recomendações prioritárias, especialmente para equipes comerciais e operacionais.
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