
Reni Rezende
Sócio e Diretor de Operações da Lifebis e atualmente atuando como Partner da MDS Corretora de Seguros. Iniciou sua trajetória em 1989 na Bamerindus Seguradora, acumulando sólida experiência de mercado com passagem também pelo Grupo HDI.

Quando Marina assumiu a gestão financeira da academia onde trabalhava, em Florianópolis, deparou-se com uma situação que mudaria completamente sua visão sobre proteção empresarial. Um aluno sofreu uma queda durante o treino funcional e fraturou o punho. A família acionou a academia judicialmente pedindo indenização de R$ 80 mil por danos materiais e morais.
Enquanto os sócios debatiam como arcar com os custos do processo — que incluíam não apenas a indenização, mas honorários advocatícios, perícias e despesas processuais —, Marina descobriu que muitas empresas similares pagavam menos de R$ 2 mil por ano por um Seguro de Responsabilidade Civil que cobriria exatamente aquela situação.
A pergunta que não quer calar: quanto realmente custa proteger uma empresa contra esse tipo de risco?
O investimento em um Seguro RC Geral para pequenas e médias empresas costuma variar entre R$ 500,00 e R$ 5.000,00 anuais, dependendo do Limite Máximo de Garantia (LMG) contratado. No entanto, o valor final — tecnicamente chamado de "prêmio" — não é fixo nem arbitrário.
Ele é calculado com base em uma análise técnica criteriosa que considera a exposição ao risco da sua operação, o faturamento da empresa, o histórico de sinistralidade do setor e até mesmo a localização do estabelecimento. Pense no prêmio como um investimento proporcional ao tamanho do risco que sua empresa representa para a seguradora.
Mas o que realmente determina se você pagará R$ 600 ou R$ 4.500 por ano? Vamos destrinchar cada componente dessa equação.
Quando um subscritor de seguros (o profissional responsável por analisar e precificar apólices) recebe sua proposta, ele não está simplesmente consultando uma tabela fixa. Ele está construindo um modelo de risco personalizado. Aqui estão os quatro pilares fundamentais dessa análise:
O Limite Máximo de Garantia é o valor máximo que a seguradora pagará por sinistros durante a vigência da apólice. É como escolher o tamanho do guarda-chuva antes da tempestade.
Uma cobertura de R$ 100 mil protege sua empresa contra incidentes de menor gravidade. Já um LMG de R$ 5 milhões oferece tranquilidade para operações de maior porte ou setores com exposição significativa a danos a terceiros.
A matemática é direta: quanto maior o LMG, maior o prêmio. Mas atenção: contratar um limite muito baixo pode deixar sua empresa descoberta justamente no momento mais crítico. Em 2024, casos de condenações judiciais em acidentes com terceiros ultrapassaram facilmente a marca dos R$ 200 mil quando envolvem danos corporais graves.
O Código Nacional de Atividade Econômica da sua empresa é um dos fatores mais determinantes na precificação. Por quê? Porque diferentes negócios carregam níveis completamente distintos de exposição ao risco.
Vamos a exemplos práticos:
As seguradoras possuem décadas de dados atuariais que mostram a frequência e a severidade de sinistros por CNAE. Essa base estatística sólida permite precificar o risco com precisão técnica.
O volume de operações da sua empresa é um indicador indireto, mas poderoso, da exposição ao risco. Uma empresa que fatura R$ 500 mil por ano tem uma escala de operação (e, portanto, de possíveis interações com terceiros) significativamente diferente de outra que fatura R$ 10 milhões.
Mais faturamento geralmente significa:
Todos esses fatores ampliam as situações em que um dano a terceiro pode ocorrer. Por isso, o subscritor utiliza o faturamento como uma das variáveis do cálculo atuarial.
Aqui está uma boa notícia: você tem controle sobre este pilar. Empresas que demonstram compromisso sério com gestão de riscos podem obter descontos significativos no prêmio.
O que as seguradoras valorizam:
Empresas que investem em prevenção representam menor risco estatístico de sinistros. E risco menor significa prêmio menor. É uma relação matemática que beneficia quem se prepara.
Para tornar essa análise mais tangível, preparamos uma tabela com estimativas baseadas em dados de mercado de 2025. Importante ressaltar: estes são valores de referência; cada apólice é única e reflete as características específicas da empresa segurada.
Observação importante: Empresas classificadas como alto risco geralmente exigem uma análise técnica presencial, incluindo vistoria das instalações e avaliação detalhada dos processos operacionais. O prêmio é calculado individualmente, podendo variar significativamente conforme as medidas de prevenção implementadas.
Você pode estar se perguntando: por que as seguradoras levam essa análise tão a sério? A resposta está na base legal que fundamenta toda obrigação de indenizar no Brasil.
Os Artigos 186 e 927 do Código Civil Brasileiro estabelecem o princípio da responsabilidade civil:
Art. 186: "Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito."
Art. 927: "Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo."
Na prática, isso significa que qualquer empresa pode ser acionada judicialmente se suas operações causarem danos materiais, corporais ou morais a terceiros — mesmo que não haja intenção. A jurisprudência brasileira tem sido cada vez mais favorável aos lesados, especialmente em casos envolvendo consumidores e acidentes.
As seguradoras, portanto, não estão apenas precificando um risco hipotético. Estão calculando a probabilidade real e o custo médio de condenações judiciais baseadas em décadas de dados processuais e atuariais. É uma ciência precisa fundamentada em estatística e jurisprudência.
Ao contratar um Seguro de Responsabilidade Civil, você pode (e deve) avaliar coberturas adicionais que ampliam a proteção mas também influenciam o prêmio final:
Danos a bens de terceiros sob guarda: Essencial para empresas que recebem produtos de clientes (assistências técnicas, lavanderias, estacionamentos). Cobre danos ou perdas de bens que estejam temporariamente sob responsabilidade da empresa.
RC Empregador: Cobertura fundamental para o departamento de RH. Protege a empresa contra ações movidas por colaboradores por acidentes de trabalho não cobertos pelo seguro obrigatório (quando há dolo ou culpa grave do empregador).
Custos de defesa judicial: Muitas apólices incluem cobertura para honorários advocatícios, custas processuais, despesas com perícias e outros custos legais. Quando você considera que um processo judicial pode se estender por anos, essa cobertura pode representar economia significativa.
Cada cobertura adicional incrementa o prêmio, mas também fecha lacunas importantes na proteção. O segredo está em identificar quais coberturas são essenciais para seu perfil de risco específico.
Agora que você entende os fatores que elevam o prêmio, vamos à parte prática: como pagar menos sem comprometer a proteção?
Empresas que demonstram possuir processos estruturados de prevenção de riscos conseguem negociar prêmios mais vantajosos. Isso inclui:
Quando Marina implementou um programa de segurança na academia — incluindo treinamento mensal da equipe, sinalização reforçada e fichas de avaliação física mais detalhadas —, a renovação da apólice no ano seguinte veio com desconto de 18%. A seguradora reconheceu o esforço preventivo com redução no prêmio.
A franquia (tecnicamente chamada de POS — Participação Obrigatória do Segurado) é o valor que a empresa arca em caso de sinistro antes da seguradora começar a pagar.
Funciona assim: se sua apólice tem franquia de R$ 5 mil e ocorre um sinistro de R$ 30 mil, você paga os primeiros R$ 5 mil e a seguradora cobre os R$ 25 mil restantes.
A estratégia: Optar por uma franquia maior reduz o prêmio mensal, porque você está assumindo parte do risco. Essa é uma decisão financeira que faz sentido para empresas com reservas de caixa e que querem proteger-se principalmente contra sinistros de grande valor.
Uma franquia de R$ 10 mil, por exemplo, pode reduzir o prêmio em até 25% comparado a uma apólice sem franquia. Você mantém a proteção contra eventos catastróficos, mas assume os incidentes menores.
Uma das estratégias mais eficientes é contratar o Seguro de Responsabilidade Civil dentro de um Seguro Empresarial Multirrisco. Esse tipo de apólice agrupa diversas coberturas:
Seguradoras oferecem descontos significativos para apólices agrupadas porque isso representa menor custo operacional (uma única subscrição, um único processo de renovação) e maior previsibilidade de receita. Não é raro encontrar economias entre 15% e 30% comparado à contratação de apólices isoladas.
Voltando à história de Marina: depois do incidente na academia, ela não procurou apenas o "seguro mais barato". Ela buscou entender qual cobertura realmente protegia a operação contra os riscos específicos do negócio.
E aqui está a verdade que nenhuma corretora deveria esconder de você: o preço é apenas uma variável na equação da proteção empresarial.
Um seguro com prêmio 40% mais baixo pode parecer um excelente negócio até você descobrir que ele exclui justamente o tipo de sinistro mais provável no seu setor. Ou que possui um sublimite ridiculamente baixo para danos morais — justamente a parcela mais cara em condenações judiciais recentes.
O "barato" pode sair muito, muito caro quando as exclusões da apólice não cobrem o risco real da sua operação.
Nossa recomendação técnica: Antes de contratar, realize uma consultoria de riscos profissional. Identifique quais são as vulnerabilidades reais do seu negócio, quais coberturas são indispensáveis e qual LMG oferece proteção adequada sem pagar por excessos desnecessários.
Pense no Seguro de Responsabilidade Civil não como uma despesa obrigatória, mas como um investimento em continuidade. Uma única condenação judicial pode comprometer anos de lucro — ou até inviabilizar o negócio. Algumas centenas ou alguns milhares de reais por ano representam uma fração mínima desse risco.
Precisa de um orçamento preciso para sua empresa? Simule seu Seguro RC com a Lifebis e receba uma análise de risco personalizada, elaborada por especialistas que entendem as particularidades do seu setor. Proteção inteligente começa com informação de qualidade.
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