
Reni Rezende
Sócio e Diretor de Operações da Lifebis e atualmente atuando como Partner da MDS Corretora de Seguros. Iniciou sua trajetória em 1989 na Bamerindus Seguradora, acumulando sólida experiência de mercado com passagem também pelo Grupo HDI.

O telefone toca. É o motorista, voz tensa, falando rápido: "Chefe, bati o caminhão. Tinha um carro parado na pista, não deu tempo de frear. Tem gente machucada. O que eu faço agora?"
Seu coração acelera. Mil perguntas vêm à cabeça: está todo mundo bem? O caminhão está destruído? A carga está intacta? Quem é o culpado? O seguro vai cobrir? Quanto vai custar? Vou perder o bônus?
Respire. Este é exatamente o momento em que você precisa de um protocolo claro, não de pânico.
A verdade é que a forma como você e sua equipe agem nos primeiros 30 minutos após um sinistro determina se:
Este não é o momento de achar culpados ou fazer julgamentos morais. É o momento de executar um protocolo técnico que garanta segurança, produza provas e proteja juridicamente sua empresa.
Vamos ao passo a passo exato que seus motoristas devem seguir — e que você, como gestor, deve treinar e documentar para usar bem o seu seguro de frota.
Antes de pensar em seguro, documentação, culpa ou qualquer outra coisa, existe uma única prioridade absoluta: pessoas em perigo.
Ação imediata:
Sinalização da via:
Mesmo sem vítimas, você precisa evitar que outros veículos colidam com a cena do acidente:
Alerta jurídico crítico:
Omissão de socorro é crime previsto no Código Penal (Art. 135), com pena de 1 a 6 meses de detenção. Se o motorista abandonar a cena sem prestar socorro ou acionar autoridades, ele comete crime — e o seguro não cobre atos ilícitos.
Além da questão criminal, a empresa pode ser responsabilizada civilmente por danos agravados pela omissão. Se a vítima morre ou tem sequelas agravadas pela falta de socorro, as indenizações disparam.
Primeiro salva vidas. Depois cuida de papelada.
Aqui está onde a maioria dos sinistros se complica desnecessariamente: falta de documentação adequada.
Três meses depois do acidente, quando a seguradora questiona culpa, quando o terceiro inventa uma versão dos fatos, quando aparece um processo pedindo R$ 200 mil, você vai se arrepender amargamente de não ter tirado 5 minutos para fotografar tudo na hora.
A ordem de ouro para o motorista:
"Antes de tirar o carro do lugar (se for seguro e possível permanecer), tire fotos de TUDO."
1. Visão panorâmica da cena:
2. Danos no seu veículo:
3. Danos no veículo do terceiro:
4. Evidências no local:
5. Sinalização de trânsito:
Dica profissional: Use o celular para tirar as fotos COM a localização GPS ativada. Isso cria metadados que comprovam data, hora e local exatos. É prova técnica que vale muito em disputas judiciais.
Se houver pessoas que presenciaram o acidente (pedestres, motoristas de outros veículos, moradores locais), pegue:
Em caso de disputa judicial onde um lado acusa o outro, testemunhas independentes são frequentemente decisivas. O juiz não vai confiar apenas na palavra do seu motorista versus a palavra do terceiro. Mas vai confiar no depoimento de um pedestre neutro que viu tudo.
Este é provavelmente o erro mais comum e mais caro que motoristas cometem no local do acidente.
O erro fatal:
O motorista da sua empresa, nervoso, culpado, querendo "fazer a coisa certa", diz para a vítima: "Nossa, desculpa! A culpa foi toda minha. Eu estava distraído. Relaxa que minha empresa paga tudo!"
Parece educado. Parece honesto. Mas é um desastre jurídico.
Por quê?
Porque você acabou de criar uma confissão de culpa que será usada contra você em tribunal. O advogado do terceiro vai anexar essa declaração ao processo e o juiz vai considerar "confissão extrajudicial".
Pior: você assumiu um compromisso financeiro ("minha empresa paga tudo") sem saber a extensão real dos danos. Dias depois você descobre que o "terceiro" está pedindo R$ 200 mil por danos morais e sua "promessa" está sendo usada como argumento.
A orientação jurídica correta:
Nunca, em hipótese alguma, assuma culpa formalmente no local do acidente. A análise de culpa deve ser feita tecnicamente, com base em provas, perícias e legislação de trânsito — não na emoção do momento.
O script correto para o motorista:
"O senhor está bem? Alguém precisa de atendimento médico? Vamos trocar contatos e dados dos veículos. Vou fotografar os danos para documentar. Minha empresa acionará o seguro e a seguradora vai entrar em contato para avaliar o ocorrido e providenciar os reparos necessários."
Pronto. Educado, profissional, sem admitir culpa, sem fazer promessas.
Outras coisas que o motorista NÃO deve fazer:
Tudo deve ser formal, documentado e processado através da seguradora. Isso protege ambas as partes.
O B.O. (Boletim de Ocorrência) é o documento oficial que registra o acidente. Ele não determina culpa (isso é função da perícia ou do juiz), mas registra formalmente que o fato aconteceu, quando, onde e quem estava envolvido.
Se houve qualquer pessoa ferida (mesmo que levemente), você deve fazer Boletim de Ocorrência presencial na Polícia Civil ou solicitar que a Polícia Militar compareça ao local e faça o registro.
Isso não é opcional. É exigência legal. E mais importante: é documento essencial para:
Se foi apenas "lata amassada" sem feridos, em muitos estados você pode fazer o Boletim de Ocorrência de Trânsito (BAT) online, sem ir até a delegacia.
Sites estaduais permitem preencher o formulário, anexar fotos e gerar o B.O. oficial em minutos. É muito mais rápido e eficiente.
A pergunta do gestor: "Se não teve feridos, preciso mesmo fazer B.O.?"
A resposta técnica: Para acionar a cobertura de RCF (danos a terceiros), praticamente 100% das seguradoras exigem o B.O. como documento comprobatório.
Para acionar apenas o conserto do próprio veículo (Casco), algumas seguradoras dispensam o B.O. em casos de valores baixos. Mas a recomendação da boa prática é sempre fazer.
Por quê? Porque:
Faça sempre. Sem exceções.
Nem todo sinistro deve ser acionado no seguro. Às vezes, pagar "do bolso" é financeiramente mais inteligente.
Exemplo real:
Decisão correta: Não acione o seguro. Pague o conserto direto. Por quê?
Quando vale a pena acionar:
Mesmo que o dano ao terceiro seja pequeno (um para-choque de R$ 800), sempre acione a cobertura de RCF.
Por quê?
A regra de ouro: se a culpa foi sua e atingiu terceiros, acione imediatamente. Protege seu caixa e seu jurídico.
Para facilitar, aqui está o checklist condensado que seus motoristas devem ter no porta-luvas:
Este checklist de 6 passos, se seguido rigorosamente, garante que você terá todas as provas necessárias e evitará os erros mais comuns e caros.
Aqui está uma verdade que poucos gestores conhecem: a velocidade de resposta determina o custo final do sinistro.
Um sinistro bem documentado, com todas as fotos, B.O., dados dos envolvidos, enviado para a seguradora em 24 horas, é processado em dias. A vistoria é agendada rapidamente, a análise de culpa é clara, a aprovação sai rápido, o reparo começa.
Um sinistro mal documentado, com informações faltando, sem B.O., com versões conflitantes, demora semanas ou meses para ser resolvido. A seguradora fica questionando, pedindo documentos adicionais, fazendo perícias extras. O veículo fica parado. A operação trava. Os custos indiretos explodem.
Pior: sinistros mal documentados têm chance maior de recusa de cobertura. Se a seguradora não consegue entender exatamente o que aconteceu, ela tende a negar por precaução.
O treinamento que vale ouro:
Invista algumas horas para treinar seus motoristas nesse protocolo. Faça simulações. Mostre exemplos de fotos boas e ruins. Explique por que cada passo importa.
Motoristas bem treinados viram seus "peritos de campo". Eles produzem evidências tão boas que a seguradora aprova sem questionar. Isso economiza tempo, reduz custos indiretos e mantém a operação fluindo.
Seus motoristas sabem exatamente o que fazer na hora do sinistro?
Ou eles ligam desesperados, esquecem de fotografar, assumem culpa no nervosismo e transformam um problema de R$ 5 mil em um desastre de R$ 50 mil?
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