
Reni Rezende
Sócio e Diretor de Operações da Lifebis e atualmente atuando como Partner da MDS Corretora de Seguros. Iniciou sua trajetória em 1989 na Bamerindus Seguradora, acumulando sólida experiência de mercado com passagem também pelo Grupo HDI.

É sempre a mesma história: chega o dia do débito automático da Netflix, do Spotify, do Prime Video, e você olha para a fatura do cartão de crédito pensando "mais essa conta...". Mas aí você se lembra: você tem aquele cartão multibenefícios da empresa. Vários saldos separados. Vários "bolsos" de dinheiro.
E a pergunta surge inevitável:
"Será que dá para pagar essas assinaturas com o benefício?"
A resposta curta e direta: SIM, é totalmente possível pagar Netflix, Spotify, Disney+, Amazon Prime e outros serviços de streaming com a maioria dos cartões multibenefícios modernos (Flash, Caju, Swile, iFood Benefícios, Alymente).
Mas (porque sempre tem um "mas") você precisa saber três coisas cruciais:
Neste guia completo, vamos te mostrar exatamente como fazer isso de forma 100% legal, quais erros evitar, e como você pode economizar até R$ 720 por ano no seu orçamento doméstico usando seus benefícios de forma inteligente.
Vamos direto ao ponto.
Aqui está a primeira coisa que você precisa entender: não é todo saldo do seu cartão que pode ser usado para pagar streaming. Na verdade, existe uma categoria específica para isso.
Serviços de streaming — sejam de música (Spotify, Deezer, YouTube Music) ou de vídeo (Netflix, Amazon Prime Video, Disney+, HBO Max, Paramount+) — se enquadram na categoria de Cultura nos cartões multibenefícios.
Por quê? Porque esses serviços são considerados entretenimento cultural, assim como cinemas, teatros, livrarias, museus e shows. É uma forma de lazer e acesso à cultura que empresas podem oferecer aos colaboradores.
Você já deve ter lido em outros artigos sobre MCC (Merchant Category Code). É aquele código de 4 dígitos que classifica cada estabelecimento ou serviço.
Quando você cadastra seu cartão na Netflix ou no Spotify, essas plataformas têm MCCs específicos que as categorizam como "Serviços Digitais" ou "Entretenimento". O cartão multibenefícios reconhece a compra através desses códigos e identifica automaticamente que deve ser usado o saldo de Cultura.
Na prática, funciona assim:
Simples, automático, transparente.
Aqui está o detalhe importante: para usar benefícios em streaming, sua empresa precisa ter configurado um valor na categoria Cultura, OU você precisa ter transferido saldo flexível para lá.
Se no seu app de benefícios aparece "Saldo Cultura: R$ 0,00", você não conseguirá pagar os streamings. É como tentar sacar dinheiro de uma conta vazia — o sistema simplesmente vai negar a transação.
Como verificar se você tem saldo de Cultura:
Se houver, você está pronto para cadastrar seus streamings. Se não houver, continue lendo — vamos te mostrar o que fazer.
Aqui está onde muita gente erra — e onde algumas empresas tentam fazer o que não devem.
Você olha seu app e vê:
E pensa: "Caramba, tenho R$ 700 aqui. Vou transferir R$ 50 para Cultura e pagar o streaming."
PARE. NÃO FAÇA ISSO.
A resposta é simples e direta: é proibido por lei.
O saldo de Vale-Alimentação e Vale-Refeição é protegido pelo PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador). Esses valores têm uma finalidade específica e exclusiva: garantir sua alimentação adequada.
A legislação do PAT estabelece claramente que esses recursos devem ser usados exclusivamente para alimentação, vedando seu uso para academias, farmácias, planos de saúde, cursos — e, obviamente, streaming.
Na maioria dos casos, o sistema simplesmente bloqueia.
Os cartões multibenefícios modernos têm tecnologia de segregação de saldos. Eles não permitem que você transfira dinheiro de Alimentação/Refeição para outras categorias. Quando você tenta fazer essa transferência no app, aparece uma mensagem tipo:
"Não é possível transferir desta categoria. Saldo de Alimentação/Refeição deve ser usado exclusivamente para fins alimentares."
Mas e se eu tentar burlar de alguma forma?
Má ideia. Muito má ideia.
Se sua empresa permitir (ou tentar facilitar) o uso de saldos de Alimentação/Refeição para outras finalidades, ela está cometendo fraude fiscal. As consequências incluem:
Não vale o risco. Nem para você, nem para sua empresa.
Almoço é para comida. Cultura é para diversão.
Respeite essa separação e durma tranquilo.
Agora que você já sabe qual saldo usar (Cultura) e qual NÃO usar (Alimentação/Refeição), vamos ao passo a passo prático.
A maioria dos apps de benefícios permite que você crie um cartão virtual especificamente para compras online. Isso é mais seguro do que usar os dados do seu cartão físico.
Como fazer:
Por que usar cartão virtual?
Vamos usar Netflix como exemplo, mas o processo é praticamente idêntico para Spotify, Prime Video, Disney+ e outros.
No Netflix:
No Spotify:
Aqui está o detalhe que confunde muita gente:
Embora seja um cartão pré-pago de benefícios, você deve selecionar a opção "Cartão de Crédito" no momento do cadastro.
Não procure por "cartão de débito" ou "cartão pré-pago". Selecione sempre "Cartão de Crédito" ou "Credit Card".
Por quê? Porque o cartão de benefícios tem bandeira (Visa, Mastercard, Elo) e funciona tecnicamente como um cartão de crédito pré-pago para sistemas de pagamento recorrente.
Digite as informações do seu cartão virtual (ou físico):
Após inserir todos os dados:
Configure alertas no app do seu benefício para avisar quando o saldo de Cultura estiver baixo. Assim você não corre o risco de ter a assinatura cancelada por falta de saldo.
Esta é uma situação comum: sua empresa oferece um cartão multibenefícios, mas só configurou Alimentação, Refeição e talvez Mobilidade. O saldo de Cultura está zerado.
O que fazer?
Muitos cartões multibenefícios têm categorias "flexíveis" que você pode transferir livremente:
Se você tem saldo sobrando em alguma dessas categorias e sua empresa permite a transferência, você pode mover o dinheiro para Cultura.
Como transferir (exemplo genérico):
Importante: Nem todas as empresas permitem todas as transferências. Algumas bloqueiam certas combinações. Se a opção não aparecer no app, é porque sua empresa não habilitou.
Se sua empresa ainda não oferece saldo de Cultura, converse com o RH. Mostre este artigo se for preciso.
Argumento para o RH:
"Oferecer saldo de Cultura tem custo zero adicional para a empresa se for parte do pacote de benefícios flexíveis que já existe. Apenas reconfigura a divisão dos valores. E aumenta muito a percepção de valor do benefício pelos colaboradores, melhorando engajamento e satisfação."
Empresas modernas estão cada vez mais aderindo a isso porque perceberam que colaboradores valorizam benefícios de qualidade de vida e cultura.
Alguns cartões têm uma categoria chamada "Saldo Livre" ou "Saldo Flex" que pode ser usado em qualquer estabelecimento, sem restrição de MCC.
Se você tem saldo nessa categoria, pode cadastrar seu cartão direto no streaming usando esse saldo. A compra vai passar porque o Saldo Livre não tem bloqueios.
Atenção: Lembre-se das regras sobre Saldo Livre que explicamos em outro artigo — ele não pode ser usado como "salário disfarçado" pago mensalmente. Deve ser eventual, vinculado a desempenho ou premiações.
Se nada disso funcionar, considere sugerir uma mudança na política de benefícios da empresa.
Proposta ao RH:
"Em vez de valores fixos e engessados (R$ 500 VA + R$ 200 VR), poderíamos ter um modelo onde:
Isso não custa mais para a empresa, mas aumenta muito a satisfação dos colaboradores.
Agora vamos falar de números concretos. Por que vale a pena usar seu benefício para pagar streaming?
Vamos considerar um cenário realista:
Anual: R$ 66,80 × 12 meses = R$ 801,60 por ano
Se você paga essas assinaturas com o cartão de crédito pessoal, são R$ 801,60 que saem do seu bolso todo ano.
Se você paga com o saldo de Cultura do benefício, são R$ 801,60 que você economiza e pode usar para outras coisas: investimento, viagem, emergência, lazer.
Mas tem mais. Pense assim:
Quando você recebe R$ 100 de benefício na categoria Cultura, você não paga imposto de renda sobre esse valor. Mas se sua empresa te pagasse esses mesmos R$ 100 em salário, você pagaria IR.
Então, na verdade, para você receber R$ 100 líquidos no salário, a empresa precisaria pagar cerca de R$ 127 (dependendo da sua faixa de IR e descontos).
Em outras palavras: cada R$ 1 de benefício vale mais do que R$ 1 de salário líquido na sua mão.
Tem um fator menos tangível mas igualmente importante: quando você paga seus streamings com benefício em vez de dinheiro do seu bolso, você aproveita mais o serviço sem aquela culpa de "estou gastando demais".
É dinheiro que a empresa destinou especificamente para seu bem-estar e cultura. Use sem peso na consciência.
Para a empresa, oferecer saldo de Cultura que o colaborador usa para pagar Netflix e Spotify é uma jogada de mestre em gestão de benefícios.
Por quê? Porque você sente o valor do benefício toda vez que assiste uma série ou ouve música. É uma lembrança constante de que a empresa está investindo no seu bem-estar.
Isso aumenta o engajamento, a satisfação, e a retenção de talentos — tudo sem custar um centavo a mais para a empresa.
Ok, agora você já sabe como pagar Netflix e Spotify. Mas o Saldo Cultura não serve só para isso. Vamos expandir os horizontes:
✅ Netflix
✅ Amazon Prime Video
✅ Disney+
✅ HBO Max
✅ Paramount+
✅ Apple TV+
✅ DAZN (esportes)
✅ Crunchyroll (animes)
✅ Spotify Premium
✅ Deezer
✅ YouTube Music Premium
✅ Amazon Music Unlimited
✅ Apple Music
✅ Tidal
✅ Kindle Unlimited (Amazon)
✅ Scribd
✅ Skeelo
✅ Audible (audiolivros)
✅ Ingressos de cinema (Ingresso.com, Cinemark, Kinoplex)
✅ Teatro
✅ Shows e eventos culturais
✅ Museus
✅ Livraria Cultura
✅ Saraiva
✅ Amazon (livros físicos)
✅ Fnac
✅ Livrarias independentes que aceitam a bandeira do cartão
Em alguns casos, dependendo da política da empresa e da operadora do cartão:
✅ Udemy
✅ Coursera
✅ Alura
✅ Rocketseat
✅ Duolingo Plus
✅ Babbel
Atenção: Educação às vezes entra na categoria "Educação" em vez de "Cultura", dependendo do cartão. Verifique no seu app.
"Preciso ter um cartão físico ou posso usar só o virtual?"
Pode usar só o virtual. Na verdade, é até recomendado por questões de segurança.
"E se meu saldo de Cultura acabar no meio do mês?"
A cobrança recorrente do streaming será negada. O serviço avisa por e-mail que houve problema no pagamento e te dá alguns dias para regularizar. Você pode transferir mais saldo para Cultura ou atualizar a forma de pagamento.
"Posso compartilhar minha conta Netflix paga com benefício com minha família?"
Sim, não há problema. A regra é sobre como VOCÊ paga, não sobre quem usa.
"A empresa pode me obrigar a usar o saldo de uma forma específica?"
Não. Se você tem saldo de Cultura disponível, a decisão de como gastar é sua: cinema, streaming, livros — você escolhe.
"E se eu sair da empresa? Perco os streamings?"
Quando você for desligado, o benefício é cancelado. Se você tem assinaturas recorrentes cadastradas no cartão, elas começarão a falhar após o cancelamento. Atualize para outra forma de pagamento assim que possível.
"Posso cadastrar o cartão no perfil da minha esposa/marido?"
O cartão é pessoal e intransferível, mas na prática, se você cadastrar em uma conta compartilhada da família, não há como o sistema identificar quem está usando. Use o bom senso.
"Há limite de quantos streamings posso assinar?"
O único limite é o saldo disponível. Se você tem R$ 200 de Cultura e quer gastar tudo em 10 streamings diferentes, problema seu.
"O saldo de Cultura expira?"
Na maioria dos cartões modernos, não. Ele acumula de mês a mês. Mas confirme no regulamento da sua empresa — algumas políticas antigas previam expiração.
Vamos recapitular tudo com máxima clareza:
Pagar streaming com benefício em vez de dinheiro do bolso pode economizar mais de R$ 800 por ano — dinheiro que você pode investir, poupar ou usar para outras prioridades.
Se você trabalha no RH e sua empresa ainda não oferece saldo de Cultura, está perdendo uma oportunidade de ouro de aumentar a percepção de valor dos benefícios sem gastar um centavo a mais.
É só reconfigurar a divisão dos valores que já são pagos. Os colaboradores vão valorizar MUITO mais quando perceberem que podem usar para aquilo que já pagam de qualquer jeito: streaming, livros, cinema.
O Saldo Cultura é apenas uma das categorias do cartão multibenefícios. Existem outras gavetas que você pode explorar para maximizar seus benefícios:
Leia nosso Guia Definitivo do Cartão Multibenefícios e descubra como aproveitar cada categoria de forma inteligente e legal.
Se você é colaborador e gostaria que sua empresa oferecesse essa categoria de benefício, você pode ajudar!
Compartilhe este artigo com seu RH mostrando como é simples implementar e o quanto os colaboradores valorizam.
Se você é do RH ou da Diretoria, a Lifebis pode ajudar a estruturar uma política de benefícios flexíveis moderna:
✓ Configuração de todas as categorias (Alimentação, Refeição, Cultura, Mobilidade, Home Office)✓ Garantia de compliance total com o PAT e legislação trabalhista✓ Treinamento dos colaboradores sobre como usar cada saldo✓ Comparativo entre Flash, Caju, Swile, iFood Benefícios e outros
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Última atualização: dezembro de 2025. As informações deste artigo são baseadas nas funcionalidades dos principais cartões multibenefícios do mercado brasileiro e na legislação do PAT. Consulte seu RH ou o app do seu benefício para detalhes específicos da sua empresa.
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