
Reni Rezende
Sócio e Diretor de Operações da Lifebis e atualmente atuando como Partner da MDS Corretora de Seguros. Iniciou sua trajetória em 1989 na Bamerindus Seguradora, acumulando sólida experiência de mercado com passagem também pelo Grupo HDI.

Você já passou por isso? Entra no site da Amil, Bradesco, SulAmérica — operadoras gigantes, com marcas conhecidas — e só encontra botões para "Planos Empresariais" ou "Para sua empresa". Tenta ligar para um corretor e a resposta é sempre a mesma: "Não trabalhamos mais com pessoa física".
A frustração é real. Você não quer abrir empresa, não trabalha com carteira assinada, não faz parte de sindicato nenhum. Você só quer um plano de saúde decente para você e sua família. E aí vem a pergunta: o plano individual morreu?
A resposta curta: quase. Ele ainda existe em operadoras regionais e específicas (como Prevent Senior, algumas Unimeds do interior, operadoras verticalizadas), mas nas grandes marcas nacionais, ele foi praticamente extinto. E não foi por acaso — foi uma decisão estratégica das operadoras para não perder dinheiro.
Neste guia, vou te explicar exatamente por que isso aconteceu, quais alternativas você tem em 2026 (e qual delas realmente compensa), e como fazer a escolha certa sem cair em ciladas de reajuste abusivo ou rede limitada. Vamos acabar com essa confusão de uma vez?
Aqui está a verdade que ninguém te conta de cara: as grandes operadoras pararam de vender plano individual porque ele virou um produto economicamente inviável. E não é conspiração — é matemática pura.
Vamos entender o ciclo que matou o plano individual:
1. Reajuste Controlado pela ANS
Quando você contrata um plano de saúde individual (pessoa física), a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) define um teto máximo de reajuste anual. Em 2024, por exemplo, esse teto foi de 6,91%. Em 2023, foi 9,63%.
A ideia é boa: proteger o consumidor de aumentos abusivos. Na prática, gerou um efeito colateral devastador.
2. Inflação Médica Real: O Dobro ou Triplo
Enquanto a ANS limita o reajuste em 6%, 8%, 9%, a inflação médica real (o quanto custa para a operadora pagar hospitais, médicos, exames) sobe entre 12% e 20% ao ano.
Por quê? Porque:
3. A Conta Não Fecha: Prejuízo Garantido
Vamos aos números simplificados:
Diferença: R$ 35/mês de prejuízo por beneficiário. Multiplica isso por 100.000 clientes e você tem R$ 3,5 milhões de prejuízo mensal. R$ 42 milhões por ano.
Nenhuma empresa sobrevive assim. E foi exatamente isso que aconteceu.
A partir de 2015-2016, as grandes operadoras (Amil, Bradesco, SulAmérica, Porto Seguro) simplesmente fecharam a torneira para novos planos individuais. Quem já tinha, manteve (e sofre com reajustes controlados). Quem quer entrar novo, não consegue mais.
Por que elas não fecham os planos individuais antigos?
Porque a ANS não permite cancelamento unilateral. Mas elas fazem o possível para incentivar a migração: reduzem investimentos na rede, dificultam autorizações, e esperam que o cliente desista e migre para outro modelo.
Aqui está o pulo do gato: nos planos empresariais e coletivos por adesão, a ANS não controla o reajuste anual. A operadora pode reajustar baseada na sinistralidade real do grupo.
Isso significa: se o grupo usou muito o plano, o reajuste pode ser de 20%, 30%, 40%. Se usou pouco, pode ser 8%, 10%. É risco compartilhado — e é isso que permite que a operadora não tenha prejuízo.
Resultado: Todas as operadoras grandes migraram o foco para esses dois modelos. O plano individual virou peça de museu.
Se você não tem CNPJ e precisa de um plano agora, sua porta de entrada mais comum é o Coletivo por Adesão. Mas antes de contratar, você precisa entender como ele funciona — porque a propaganda é bonita, mas a realidade pode doer no bolso.
É um plano coletivo intermediado por uma entidade de classe ou associação. Você se "associa" a essa entidade (pagando uma taxa) e, através dela, contrata um plano de saúde negociado coletivamente.
Exemplos de entidades que oferecem:
1. Acesso a redes premium sem CNPJ
Você consegue contratar Amil, SulAmérica, Bradesco, planos que não vendem mais para pessoa física diretamente. Se você valoriza a marca e a rede credenciada, esse é um ponto forte.
2. Não precisa de CNPJ
Se você é CLT, autônomo sem empresa, estudante, aposentado — qualquer pessoa física pode entrar. Basta ter vínculo com a categoria (às vezes nem isso, depende da associação).
3. Entrada relativamente rápida
Documentação simples (CPF, RG, comprovante de profissão ou diploma), sem burocracia de empresa.
Agora vem a parte que o vendedor não explica direito quando está fechando a venda:
1. Reajuste Livre (Não Controlado pela ANS)
Diferente do plano individual antigo, o plano por adesão não tem teto de reajuste definido pela ANS. O reajuste é baseado na sinistralidade do pool — ou seja, quanto aquele grupo de beneficiários usou o plano no ano anterior.
E aqui está o problema: Como entram pessoas de todas as idades e condições de saúde (sem análise de perfil), a sinistralidade costuma ser alta. E reajustes de 18%, 22%, 25% em um ano ruim são comuns.
Exemplo real:
Em 2 anos, seu plano subiu 46%. Sua renda subiu 46%? Provavelmente não.
2. Taxa de Adesão (Mensalidade Extra na Entrada)
Muitas administradoras cobram uma taxa de adesão que pode variar de R$ 50 a R$ 150/mês além da mensalidade do plano. É um custo oculto que pesa no orçamento.
3. Instabilidade de Longo Prazo
Como o reajuste é imprevisível e geralmente alto, você não consegue planejar financeiramente. O que era "acessível" no primeiro ano pode virar um pesadelo no terceiro.
Vale a pena SE:
NÃO vale a pena SE:
Aqui está a solução que deveria estar em neon piscando na testa de todo profissional liberal, autônomo, freelancer e aposentado: abrir um MEI ou usar um CNPJ existente para contratar plano empresarial.
Soa estranho? "Mas eu não tenho empresa de verdade." Não importa. O que importa é que, para a operadora de saúde, um CNPJ ativo é um CNPJ ativo. E isso te dá acesso à tabela empresarial — que é o melhor custo-benefício do mercado.
A lógica de precificação muda completamente:
Plano por Adesão:
Plano Empresarial (PME):
Resultado: O mesmo plano pode custar de 30% a 40% menos no modelo empresarial.
Vamos comparar um caso real de família com 3 pessoas (casal de 35 anos + 1 filho de 5 anos):
Sete mil reais por ano. Isso paga um carro usado, uma viagem internacional, ou fica investido rendendo juros. Só porque você tem um CNPJ.
O reajuste do plano empresarial PME é baseado no pool de milhares de pequenas empresas. Como a base é enorme e diversificada, os reajustes tendem a ser mais previsíveis e geralmente menores que o coletivo por adesão.
Exemplo de histórico de reajustes (Amil PME São Paulo):
Compare com coletivo por adesão da mesma operadora:
A diferença acumula. Em 5 anos, o plano por adesão pode estar custando o dobro do empresarial.
1. CNPJ Ativo (MEI com 6 Meses)
Se você é MEI, precisa de 6 meses de abertura. Se você tem ME, LTDA, EIRELI, pode contratar imediatamente.
2. Mínimo de 2 Vidas (Na Maioria das Operadoras)
Você + cônjuge, você + filho, você + sócio, você + funcionário. Qualquer combinação que some 2 pessoas.
Algumas operadoras regionais aceitam 1 vida (empresário solo), mas são exceções.
3. Documentação Empresarial
Cartão CNPJ, contrato social (se for ME/LTDA), CCMEI (se for MEI), documentos pessoais dos beneficiários.
Entendo a resistência. Mas vamos aos fatos:
Custo de manter um MEI:
Economia no plano de saúde (exemplo acima):
Lucro líquido: R$ 6.360/ano só pela economia no plano.
Fora que você ainda ganha:
Matemática: O MEI se paga só com a economia do plano de saúde. Todo o resto é bônus.
É a melhor escolha SE:
Não faz sentido SE:
Agora vem uma alternativa que muita gente esquece: operadoras regionais verticalizadas que ainda comercializam plano individual pessoa física.
São operadoras que possuem rede própria (hospitais, clínicas, laboratórios) e, por isso, conseguem controlar custos melhor que as grandes marcas que dependem de rede credenciada.
Exemplos:
1. Reajuste Controlado pela ANS
Como é plano individual de verdade (pessoa física, CPF), o reajuste anual segue o teto da ANS. Isso te dá previsibilidade — você sabe que não vai levar um reajuste de 25% de um ano para o outro.
2. Não Precisa de CNPJ
Ideal para quem realmente não quer ou não pode abrir empresa.
3. Custo Competitivo
Como a operadora tem estrutura própria, os preços costumam ser mais baixos que os planos por adesão de operadoras de rede credenciada.
1. Rede Restrita
Você vai usar prioritariamente (ou exclusivamente) a rede própria da operadora. Se você quer liberdade de escolher qualquer hospital de ponta, esses planos não entregam isso.
2. Abrangência Limitada
A maioria cobre só a região metropolitana onde a operadora atua. Se você viaja muito ou mora em cidade pequena fora da área de cobertura, não funciona.
3. Percepção de Qualidade
Operadoras regionais não têm o "glamour" de uma SulAmérica ou Amil. Para algumas pessoas, isso importa (seja por status, seja por desconfiança da estrutura).
Vale MUITO a pena SE:
Exemplos de perfil ideal:
NÃO vale a pena SE:
Vamos colocar tudo lado a lado para você visualizar qual opção faz mais sentido para o seu caso:
Se você quer o MENOR PREÇO: Empresarial PME (MEI) vence disparado.
Se você quer PREVISIBILIDADE de reajuste: Individual Regional vence (reajuste ANS é o mais controlado).
Se você quer REDE AMPLA sem CNPJ: Coletivo por Adesão é sua única opção (mas vai pagar caro e sofrer com reajustes).
Se você pode abrir MEI: Empresarial PME é objetivamente a melhor escolha na maioria dos cenários — combina preço baixo, rede ampla e reajuste razoável.
Se você chegou até aqui, já entendeu que o fim do plano individual não é o fim das suas possibilidades. Na verdade, você tem mais controle sobre sua situação do que as operadoras querem que você saiba.
Vamos recapitular as conclusões práticas:
O plano individual tradicional morreu? Quase. Ele sobrevive em operadoras regionais verticalizadas, mas desapareceu das grandes marcas nacionais.
Por que morreu? Porque a ANS controla o reajuste em níveis que não cobrem a inflação médica real. As operadoras migraram para coletivo empresarial e por adesão, onde o reajuste é livre.
Qual a melhor alternativa? Na maioria dos casos, abrir um MEI e contratar plano empresarial PME. Você economiza 30-40%, tem rede ampla e reajustes mais estáveis que o adesão.
E se eu não puder/quiser abrir CNPJ? Coletivo por adesão (Qualicorp, associações) é a saída — mas esteja preparado para reajustes altos. Ou busque operadoras regionais que ainda vendem individual pessoa física.
Se você está pagando uma fortuna em plano por adesão e pode abrir um MEI (ou já tem CNPJ), você está literalmente jogando dinheiro fora todo mês.
E se você decidir migrar, a Lifebis cuida de tudo: abertura de MEI (se necessário), portabilidade do plano antigo, documentação, aprovação. Você só assina e economiza.
Profissional liberal (advogado, médico, engenheiro, arquiteto, consultor) pagando caro em plano por adesão?
Você é exatamente o perfil que mais se beneficia dessa estratégia. Mesmo sendo CLT, você pode ter um MEI paralelo para atividades de consultoria — e usar esse CNPJ para contratar o plano empresarial.
Fale com a equipe da Lifebis e descubra como migrar sem perder cobertura
Plano de saúde não é sorteio. É estratégia. E quem tem informação paga menos — sempre.
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