Plano de Saúde Individual Ainda Existe? Por Que Sumiu do Mercado e Qual a Melhor Alternativa em 2026?

Plano de Saúde Individual Ainda Existe? Por Que Sumiu do Mercado e Qual a Melhor Alternativa em 2026?

Você já passou por isso? Entra no site da Amil, Bradesco, SulAmérica — operadoras gigantes, com marcas conhecidas — e só encontra botões para "Planos Empresariais" ou "Para sua empresa". Tenta ligar para um corretor e a resposta é sempre a mesma: "Não trabalhamos mais com pessoa física".

A frustração é real. Você não quer abrir empresa, não trabalha com carteira assinada, não faz parte de sindicato nenhum. Você só quer um plano de saúde decente para você e sua família. E aí vem a pergunta: o plano individual morreu?

A resposta curta: quase. Ele ainda existe em operadoras regionais e específicas (como Prevent Senior, algumas Unimeds do interior, operadoras verticalizadas), mas nas grandes marcas nacionais, ele foi praticamente extinto. E não foi por acaso — foi uma decisão estratégica das operadoras para não perder dinheiro.

Neste guia, vou te explicar exatamente por que isso aconteceu, quais alternativas você tem em 2026 (e qual delas realmente compensa), e como fazer a escolha certa sem cair em ciladas de reajuste abusivo ou rede limitada. Vamos acabar com essa confusão de uma vez?

Por Que as Operadoras "Mataram" o Plano Individual? (A Matemática Que Não Fecha)

Aqui está a verdade que ninguém te conta de cara: as grandes operadoras pararam de vender plano individual porque ele virou um produto economicamente inviável. E não é conspiração — é matemática pura.

A Mecânica do Desastre (Explicação Simples)

Vamos entender o ciclo que matou o plano individual:

1. Reajuste Controlado pela ANS

Quando você contrata um plano de saúde individual (pessoa física), a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) define um teto máximo de reajuste anual. Em 2024, por exemplo, esse teto foi de 6,91%. Em 2023, foi 9,63%.

A ideia é boa: proteger o consumidor de aumentos abusivos. Na prática, gerou um efeito colateral devastador.

2. Inflação Médica Real: O Dobro ou Triplo

Enquanto a ANS limita o reajuste em 6%, 8%, 9%, a inflação médica real (o quanto custa para a operadora pagar hospitais, médicos, exames) sobe entre 12% e 20% ao ano.

Por quê? Porque:

  • Tecnologias médicas ficam mais caras (novos equipamentos, novos tratamentos)
  • Medicamentos oncológicos e de alta complexidade explodem em custo
  • Hospitais reajustam suas tabelas acima da inflação comum
  • A população envelhece e usa mais o plano

3. A Conta Não Fecha: Prejuízo Garantido

Vamos aos números simplificados:

  • Você paga R$ 500/mês em 2023
  • A ANS permite reajuste de 8% para 2024
  • Você passa a pagar R$ 540/mês
  • MAS o custo da operadora subiu 15%
  • Ela precisava cobrar R$ 575 para empatar

Diferença: R$ 35/mês de prejuízo por beneficiário. Multiplica isso por 100.000 clientes e você tem R$ 3,5 milhões de prejuízo mensal. R$ 42 milhões por ano.

Nenhuma empresa sobrevive assim. E foi exatamente isso que aconteceu.

A Solução das Operadoras: Parar de Vender Individual

A partir de 2015-2016, as grandes operadoras (Amil, Bradesco, SulAmérica, Porto Seguro) simplesmente fecharam a torneira para novos planos individuais. Quem já tinha, manteve (e sofre com reajustes controlados). Quem quer entrar novo, não consegue mais.

Por que elas não fecham os planos individuais antigos?

Porque a ANS não permite cancelamento unilateral. Mas elas fazem o possível para incentivar a migração: reduzem investimentos na rede, dificultam autorizações, e esperam que o cliente desista e migre para outro modelo.

E Para Onde Foi o Dinheiro? Coletivo Empresarial e Por Adesão

Aqui está o pulo do gato: nos planos empresariais e coletivos por adesão, a ANS não controla o reajuste anual. A operadora pode reajustar baseada na sinistralidade real do grupo.

Isso significa: se o grupo usou muito o plano, o reajuste pode ser de 20%, 30%, 40%. Se usou pouco, pode ser 8%, 10%. É risco compartilhado — e é isso que permite que a operadora não tenha prejuízo.

Resultado: Todas as operadoras grandes migraram o foco para esses dois modelos. O plano individual virou peça de museu.

Alternativa 1: Coletivo por Adesão (Via Qualicorp e Administradoras) — A Solução Imperfeita

Se você não tem CNPJ e precisa de um plano agora, sua porta de entrada mais comum é o Coletivo por Adesão. Mas antes de contratar, você precisa entender como ele funciona — porque a propaganda é bonita, mas a realidade pode doer no bolso.

O Que É Plano por Adesão?

É um plano coletivo intermediado por uma entidade de classe ou associação. Você se "associa" a essa entidade (pagando uma taxa) e, através dela, contrata um plano de saúde negociado coletivamente.

Exemplos de entidades que oferecem:

  • Qualicorp (a maior administradora do Brasil)
  • Clube do Assinante da Folha (Folha de S.Paulo)
  • OAB (para advogados)
  • CREA (para engenheiros)
  • CRA (para administradores)
  • Associações de estudantes universitários
  • Sindicatos de categorias profissionais

Vantagens: O Que Te Vendem

1. Acesso a redes premium sem CNPJ

Você consegue contratar Amil, SulAmérica, Bradesco, planos que não vendem mais para pessoa física diretamente. Se você valoriza a marca e a rede credenciada, esse é um ponto forte.

2. Não precisa de CNPJ

Se você é CLT, autônomo sem empresa, estudante, aposentado — qualquer pessoa física pode entrar. Basta ter vínculo com a categoria (às vezes nem isso, depende da associação).

3. Entrada relativamente rápida

Documentação simples (CPF, RG, comprovante de profissão ou diploma), sem burocracia de empresa.

A Pegadinha (E Aqui Vem o YMYL — Your Money Your Life)

Agora vem a parte que o vendedor não explica direito quando está fechando a venda:

1. Reajuste Livre (Não Controlado pela ANS)

Diferente do plano individual antigo, o plano por adesão não tem teto de reajuste definido pela ANS. O reajuste é baseado na sinistralidade do pool — ou seja, quanto aquele grupo de beneficiários usou o plano no ano anterior.

E aqui está o problema: Como entram pessoas de todas as idades e condições de saúde (sem análise de perfil), a sinistralidade costuma ser alta. E reajustes de 18%, 22%, 25% em um ano ruim são comuns.

Exemplo real:

  • Você contratou em 2024 por R$ 600/mês
  • Em 2025, veio reajuste de 23%
  • Você passou a pagar R$ 738/mês
  • Em 2026, veio mais 19%
  • Você passou a pagar R$ 878/mês

Em 2 anos, seu plano subiu 46%. Sua renda subiu 46%? Provavelmente não.

2. Taxa de Adesão (Mensalidade Extra na Entrada)

Muitas administradoras cobram uma taxa de adesão que pode variar de R$ 50 a R$ 150/mês além da mensalidade do plano. É um custo oculto que pesa no orçamento.

3. Instabilidade de Longo Prazo

Como o reajuste é imprevisível e geralmente alto, você não consegue planejar financeiramente. O que era "acessível" no primeiro ano pode virar um pesadelo no terceiro.

Veredito: Quando o Plano por Adesão Faz Sentido

Vale a pena SE:

  • Você realmente não pode (ou não quer) abrir um CNPJ
  • Você precisa de um plano AGORA e não tem alternativa empresarial
  • Você está disposto a migrar daqui a 2-3 anos quando o reajuste ficar insustentável
  • Você valoriza muito a rede específica (ex: só aceita SulAmérica, e ela não vende empresarial para menos de 30 vidas na sua região)

NÃO vale a pena SE:

  • Você pode abrir um MEI (nesse caso, o plano empresarial é 30-40% mais barato)
  • Você está planejando longo prazo (aposentadoria, família crescendo)
  • Você tem histórico de usar bastante o plano (porque o reajuste vai te pegar)

Alternativa 2: O "Hack" do CNPJ (MEI e PME) — A Melhor Saída Financeira

Aqui está a solução que deveria estar em neon piscando na testa de todo profissional liberal, autônomo, freelancer e aposentado: abrir um MEI ou usar um CNPJ existente para contratar plano empresarial.

Soa estranho? "Mas eu não tenho empresa de verdade." Não importa. O que importa é que, para a operadora de saúde, um CNPJ ativo é um CNPJ ativo. E isso te dá acesso à tabela empresarial — que é o melhor custo-benefício do mercado.

Por Que o Plano Empresarial É Mais Barato?

A lógica de precificação muda completamente:

Plano por Adesão:

  • Pool gigante de pessoas aleatórias (idade, saúde, uso)
  • Alta sinistralidade (muita gente doente usando muito)
  • Reajuste baseado nesse caos = reajustes altos

Plano Empresarial (PME):

  • Grupos menores e mais controlados (sócios, funcionários, familiares)
  • Pool de risco diluído entre milhares de pequenas empresas
  • Sinistralidade mais previsível = reajustes mais estáveis

Resultado: O mesmo plano pode custar de 30% a 40% menos no modelo empresarial.

Vantagem Financeira: Números Reais

Vamos comparar um caso real de família com 3 pessoas (casal de 35 anos + 1 filho de 5 anos):

Modalidade Mensalidade Total Custo Anual
Coletivo por Adesão (Qualicorp) R$ 1.800 R$ 21.600
Empresarial PME (CNPJ MEI) R$ 1.200 R$ 14.400
Economia Anual R$ 600/mês R$ 7.200/ano

Sete mil reais por ano. Isso paga um carro usado, uma viagem internacional, ou fica investido rendendo juros. Só porque você tem um CNPJ.

Segurança de Reajuste: Por Que PME É Mais Estável

O reajuste do plano empresarial PME é baseado no pool de milhares de pequenas empresas. Como a base é enorme e diversificada, os reajustes tendem a ser mais previsíveis e geralmente menores que o coletivo por adesão.

Exemplo de histórico de reajustes (Amil PME São Paulo):

  • 2023: 11,2%
  • 2024: 9,8%
  • 2025: 12,5%

Compare com coletivo por adesão da mesma operadora:

  • 2023: 18,7%
  • 2024: 23,4%
  • 2025: 15,9%

A diferença acumula. Em 5 anos, o plano por adesão pode estar custando o dobro do empresarial.

As Regras do Jogo (O Que Você Precisa Para Contratar)

1. CNPJ Ativo (MEI com 6 Meses)

Se você é MEI, precisa de 6 meses de abertura. Se você tem ME, LTDA, EIRELI, pode contratar imediatamente.

2. Mínimo de 2 Vidas (Na Maioria das Operadoras)

Você + cônjuge, você + filho, você + sócio, você + funcionário. Qualquer combinação que some 2 pessoas.

Algumas operadoras regionais aceitam 1 vida (empresário solo), mas são exceções.

3. Documentação Empresarial

Cartão CNPJ, contrato social (se for ME/LTDA), CCMEI (se for MEI), documentos pessoais dos beneficiários.

"Mas Eu Não Quero Abrir Empresa Só Por Causa de Plano"

Entendo a resistência. Mas vamos aos fatos:

Custo de manter um MEI:

  • Mensalidade: cerca de R$ 70/mês (DAS — contribuição para INSS)
  • Declaração anual: gratuita (você mesmo faz online em 10 minutos)
  • Custo anual total: R$ 840

Economia no plano de saúde (exemplo acima):

  • R$ 7.200/ano

Lucro líquido: R$ 6.360/ano só pela economia no plano.

Fora que você ainda ganha:

  • Direito a aposentadoria (INSS)
  • Possibilidade de emitir nota fiscal (se você prestar serviços)
  • Facilidade para abrir conta PJ (juros menores, limites maiores)

Matemática: O MEI se paga só com a economia do plano de saúde. Todo o resto é bônus.

Veredito: Para Quem o Plano Empresarial É Obrigatório

É a melhor escolha SE:

  • Você pode abrir um MEI (profissional liberal, freelancer, consultor, designer, programador, etc.)
  • Você quer previsibilidade financeira de médio/longo prazo
  • Você está cansado de reajustes abusivos do plano por adesão
  • Você quer a melhor relação custo-benefício do mercado

Não faz sentido SE:

  • Você não pode abrir MEI (já é CLT em empresa que não permite, ou sua atividade não se enquadra como MEI)
  • Você tem resistência ideológica a ter CNPJ (questão pessoal, sem julgamento)
  • Você precisa de plano HOJE e não pode esperar 6 meses (nesse caso, entre por adesão temporariamente e migre depois)

Alternativa 3: Regionais Que Ainda Vendem Individual (A Resistência)

Agora vem uma alternativa que muita gente esquece: operadoras regionais verticalizadas que ainda comercializam plano individual pessoa física.

Quem São Essas Operadoras?

São operadoras que possuem rede própria (hospitais, clínicas, laboratórios) e, por isso, conseguem controlar custos melhor que as grandes marcas que dependem de rede credenciada.

Exemplos:

  • Prevent Senior (São Paulo) — Focada em idosos, mas aceita todas as idades
  • Trasmontano (São Paulo) — Cooperativa médica tradicional
  • Santa Helena (São Paulo) — Hospital próprio forte na zona sul
  • NotreDame Intermédica (São Paulo e algumas regiões) — Rede própria verticalizada
  • Unimeds do interior (várias cidades pequenas) — Ainda vendem individual em algumas praças

Vantagens: Por Que Considerar

1. Reajuste Controlado pela ANS

Como é plano individual de verdade (pessoa física, CPF), o reajuste anual segue o teto da ANS. Isso te dá previsibilidade — você sabe que não vai levar um reajuste de 25% de um ano para o outro.

2. Não Precisa de CNPJ

Ideal para quem realmente não quer ou não pode abrir empresa.

3. Custo Competitivo

Como a operadora tem estrutura própria, os preços costumam ser mais baixos que os planos por adesão de operadoras de rede credenciada.

Desvantagens: O Que Você Precisa Saber

1. Rede Restrita

Você vai usar prioritariamente (ou exclusivamente) a rede própria da operadora. Se você quer liberdade de escolher qualquer hospital de ponta, esses planos não entregam isso.

2. Abrangência Limitada

A maioria cobre só a região metropolitana onde a operadora atua. Se você viaja muito ou mora em cidade pequena fora da área de cobertura, não funciona.

3. Percepção de Qualidade

Operadoras regionais não têm o "glamour" de uma SulAmérica ou Amil. Para algumas pessoas, isso importa (seja por status, seja por desconfiança da estrutura).

Para Quem Esses Planos São Perfeitos

Vale MUITO a pena SE:

  • Você mora na área de cobertura da operadora e não pretende sair
  • Você valoriza previsibilidade de reajuste acima de tudo
  • Você não se importa em usar rede própria (e a rede é boa na sua região)
  • Você não quer/pode abrir CNPJ

Exemplos de perfil ideal:

  • Aposentado em São Paulo que só usa médico na zona sul (Santa Helena é ótima opção)
  • Pessoa de 60+ anos que precisa de plano acessível (Prevent Senior)
  • Morador de cidade do interior com Unimed forte e bem avaliada

NÃO vale a pena SE:

  • Você viaja muito a trabalho (precisa de cobertura nacional)
  • Você quer liberdade de escolher qualquer hospital (precisa de rede credenciada ampla)
  • Você pode abrir MEI (nesse caso, o empresarial sai mais barato e com mais opções)

Tabela Comparativa: Qual Escolher? (A Decisão Final Simplificada)

Vamos colocar tudo lado a lado para você visualizar qual opção faz mais sentido para o seu caso:

Tipo de Plano Preço Inicial Reajuste Anual Precisa de CNPJ? Rede Estabilidade
Individual PF (Antigo/Regional) Médio Controlado pela ANS (Baixo) Não (CPF) Restrita (própria) Alta
Coletivo por Adesão (Qualicorp) Alto Livre (Alto Risco) Não (Diploma/Profissão) Ampla (credenciada) Baixa
Empresarial PME (MEI) Baixo (Melhor Custo) Pool de Risco (Médio) Sim (CNPJ 6 meses) Ampla (credenciada) Média-Alta

Interpretação Prática da Tabela

Se você quer o MENOR PREÇO: Empresarial PME (MEI) vence disparado.

Se você quer PREVISIBILIDADE de reajuste: Individual Regional vence (reajuste ANS é o mais controlado).

Se você quer REDE AMPLA sem CNPJ: Coletivo por Adesão é sua única opção (mas vai pagar caro e sofrer com reajustes).

Se você pode abrir MEI: Empresarial PME é objetivamente a melhor escolha na maioria dos cenários — combina preço baixo, rede ampla e reajuste razoável.

Conclusão: Não Fique Refém do Adesão (Você Tem Mais Opções do Que Imagina)

Se você chegou até aqui, já entendeu que o fim do plano individual não é o fim das suas possibilidades. Na verdade, você tem mais controle sobre sua situação do que as operadoras querem que você saiba.

Vamos recapitular as conclusões práticas:

O plano individual tradicional morreu? Quase. Ele sobrevive em operadoras regionais verticalizadas, mas desapareceu das grandes marcas nacionais.

Por que morreu? Porque a ANS controla o reajuste em níveis que não cobrem a inflação médica real. As operadoras migraram para coletivo empresarial e por adesão, onde o reajuste é livre.

Qual a melhor alternativa? Na maioria dos casos, abrir um MEI e contratar plano empresarial PME. Você economiza 30-40%, tem rede ampla e reajustes mais estáveis que o adesão.

E se eu não puder/quiser abrir CNPJ? Coletivo por adesão (Qualicorp, associações) é a saída — mas esteja preparado para reajustes altos. Ou busque operadoras regionais que ainda vendem individual pessoa física.

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