
Reni Rezende
Sócio e Diretor de Operações da Lifebis e atualmente atuando como Partner da MDS Corretora de Seguros. Iniciou sua trajetória em 1989 na Bamerindus Seguradora, acumulando sólida experiência de mercado com passagem também pelo Grupo HDI.

O plano de saúde empresarial é o benefício mais desejado pelos profissionais brasileiros. Pesquisas mostram que ele supera até mesmo bônus salariais na hora de aceitar uma proposta de emprego. Para empresas de pequeno e médio porte, oferecer esse benefício não é apenas questão de competitividade — é estratégia de retenção de talentos.
Mas há um detalhe que tira o sono de qualquer gestor: o plano de saúde costuma ser o segundo maior custo fixo da empresa, ficando atrás apenas da folha de pagamento. E diferente do salário, que é previsível, o plano vem com reajustes anuais, sinistralidade imprevisível e uma complexidade operacional que pode surpreender quem contrata pela primeira vez.
O desafio não é querer oferecer o benefício. É conseguir pagar por ele e mantê-lo sustentável nos próximos anos, sem comprometer o caixa ou decepcionar a equipe com uma rede de atendimento ruim.
Neste guia completo, você vai aprender a arquitetura do plano de saúde empresarial do zero. Vamos explicar como pagar menos sem perder qualidade, entender as "pegadinhas" dos reajustes abusivos, decodificar termos como coparticipação e sinistralidade, e mostrar como escolher entre as gigantes do mercado. Ao final, você terá o conhecimento necessário para tomar decisões estratégicas — e não apenas aceitar a primeira cotação que aparecer.
O plano de saúde empresarial, também chamado de plano PME, é uma modalidade de contratação feita através do CNPJ da empresa. Diferente do plano individual (contratado por pessoa física) ou do plano por adesão (oferecido por sindicatos e entidades de classe), o plano empresarial oferece condições comerciais mais vantajosas justamente por diluir o risco entre um grupo de pessoas.
Quem pode contratar: Desde o MEI (Microempreendedor Individual) que completou o tempo mínimo de abertura do CNPJ até grandes corporações. A maioria das operadoras exige que o CNPJ tenha pelo menos 6 meses de existência, mas algumas aceitam empresas mais novas mediante análise.
A Regra das Vidas: Este é o primeiro con ceito fundamental. As operadoras exigem um número mínimo de beneficiários para viabilizar a contratação, geralmente 2 ou 3 vidas. Mas atenção: "vidas" não são apenas funcionários registrados. Entram nessa conta:
Essa flexibilidade é estratégica. Uma empresa com apenas 1 funcionário pode contratar o plano empresarial incluindo o sócio e seus dependentes, atingindo facilmente as 3 vidas mínimas.
A Vantagem Financeira: O plano empresarial é substancialmente mais barato que as outras modalidades. Em média, a economia pode chegar a 30% a 40% em relação ao plano individual com coberturas equivalentes. Isso acontece porque:
Para pequenas e médias empresas, essa diferença pode representar milhares de reais por ano — recursos que podem ser reinvestidos no negócio ou em outros benefícios para a equipe.
A primeira decisão estratégica ao contratar um plano de saúde empresarial não é qual operadora escolher, mas sim qual arquitetura de cobertura faz sentido para o perfil da sua equipe. Essas escolhas impactam diretamente no valor da mensalidade.
Plano Ambulatorial: Cobre apenas consultas médicas, exames e procedimentos ambulatoriais. Não inclui internações, cirurgias ou atendimento de urgência e emergência com observação acima de 12 horas. É a opção mais barata, mas também a mais limitada. Funciona bem como complemento para empresas que querem dar acesso a consultas preventivas e check-ups, mas não como única cobertura de saúde.
Plano Hospitalar com Obstetrícia: Cobre internações, cirurgias e partos, mas não inclui consultas nem exames. É raro como contratação isolada, mas existe como possibilidade.
Plano de Referência: É o pacote completo e mais comum. Inclui cobertura ambulatorial, hospitalar, obstétrica, urgência e emergência. Oferece a tranquilidade de ter tudo coberto, desde uma consulta simples até uma cirurgia complexa. Para a maioria das PMEs, este é o caminho recomendado.
Regional: A cobertura funciona apenas em determinadas cidades ou estados. É consideravelmente mais barata porque a operadora concentra sua rede de atendimento em uma área específica. Ideal para empresas com equipe 100% local e que não costumam viajar a trabalho.
Nacional: Permite atendimento em todo território brasileiro. É mais cara, mas necessária para empresas com:
A diferença de preço entre regional e nacional pode chegar a 20% ou mais, dependendo da operadora. Muitas empresas optam por uma estratégia híbrida: plano regional para a operação e plano nacional apenas para cargos de liderança que viajam com frequência.
Este é provavelmente o conceito mais importante para quem quer reduzir custos sem perder qualidade. Na coparticipação, a empresa paga uma mensalidade fixa menor (geralmente 20% a 30% mais barata que o plano tradicional) e o beneficiário paga uma pequena taxa cada vez que utiliza o plano.
Como funciona na prática:
Vantagens da coparticipação:
Importante: A maioria das operadoras estabelece um teto de coparticipação mensal por beneficiário, geralmente entre R$ 500 e R$ 1.000. Isso protege o colaborador de gastos excessivos em situações de doenças graves ou internações prolongadas.
Para PMEs preocupadas com custo, a coparticipação não é opcional — é estratégica. Empresas que não consideram essa modalidade frequentemente enfrentam dificuldades financeiras depois do primeiro reajuste.
Entender a precificação é fundamental para contratar bem e, principalmente, para prever os custos futuros. O preço do plano de saúde empresarial não é uma tabela única — ele varia conforme o perfil da sua equipe.
A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) estabelece 10 faixas etárias para precificação:
O preço cresce conforme a faixa etária aumenta, com um salto significativo a partir dos 44 anos. A última faixa (59+) pode custar até 6 vezes mais que a primeira faixa.
Por que isso importa: Uma startup com equipe jovem (maioria entre 25-35 anos) pagará consideravelmente menos que uma empresa tradicional com profissionais mais experientes. O perfil etário da sua equipe é o maior determinante do custo mensal.
Gestão estratégica: Algumas empresas cometem o erro de incluir sócios idosos no plano sem necessidade (quando eles já têm outro plano, por exemplo). Isso pode encarecer significativamente o custo médio. Avalie com cuidado quem realmente precisa estar no plano empresarial.
Sinistralidade é um termo técnico do setor de seguros que significa, basicamente, quanto a empresa usou do plano em relação ao quanto pagou. É a relação entre despesas médicas e receita com mensalidades.
Exemplo prático:
Quando a sinistralidade ultrapassa 70-80% (dependendo do contrato), a operadora pode aplicar um reajuste adicional no aniversário do contrato, além do reajuste anual normal aprovado pela ANS.
Este reajuste por sinistralidade pode chegar a 40%, 50% ou até mais em casos extremos. É o principal motivo de surpresas desagradáveis na renovação do contrato.
Como controlar a sinistralidade:
Muitos gestores descobrem a sinistralidade apenas no momento do reajuste abusivo. O ideal é acompanhar trimestralmente com sua corretora.
1. Reajuste Anual (ANS): Aprovado pela agência reguladora, aplicado no aniversário do contrato. Costuma ficar entre 5% e 15% ao ano, acompanhando a inflação médica.
2. Reajuste por Sinistralidade: Aplicado quando o uso ultrapassou o previsto no contrato. Pode ser negociado, especialmente se você demonstrar ações para controlar o uso.
3. Reajuste por Mudança de Faixa Etária: Quando um beneficiário muda de faixa etária, o preço individual dele aumenta. Se sua equipe envelhece junta, isso pode ser um custo significativo ao longo dos anos.
Nem todo plano de saúde empresarial funciona apenas com rede credenciada. Existe uma modalidade chamada reembolso (ou livre escolha), que permite ao beneficiário consultar qualquer médico e ser reembolsado depois.
O beneficiário escolhe livremente seu médico (mesmo que não seja credenciado), paga a consulta do próprio bolso e depois solicita reembolso à operadora. O valor devolvido pode ser:
Vantagem: Flexibilidade total para escolher especialistas renomados, médicos de confiança que não estão na rede, ou atendimento em hospitais específicos.
Desvantagem: Custo maior. Planos com alto reembolso podem ser 30% a 50% mais caros que planos de rede credenciada.
Muitas PMEs maduras adotam uma estratégia inteligente:
Essa abordagem oferece um excelente custo-benefício geral, mantém o benefício acessível para todos, mas permite que lideranças tenham flexibilidade total de escolha — algo valorizado por profissionais sêniores que já têm médicos de confiança.
Se a sua empresa tem orçamento limitado, comece com rede credenciada para todos. À medida que o negócio cresce, você pode criar camadas diferenciadas.
Carência é o período que o beneficiário precisa esperar antes de usar determinadas coberturas. É a proteção da operadora contra pessoas que contratam o plano apenas quando já sabem que vão precisar de uma cirurgia, por exemplo.
Essas carências podem parecer longas, mas há exceções importantíssimas.
Quando uma empresa contrata um plano empresarial com 30 ou mais vidas, a maioria das operadoras oferece isenção total de carência para todos os beneficiários, exceto para doenças preexistentes já conhecidas.
Isso significa que uma empresa de 30 funcionários pode contratar o plano e a equipe começar a usar consultas, exames e até fazer cirurgias eletivas em poucos dias.
Para PMEs que estão crescendo e chegando perto desse número, vale a pena considerar incluir mais dependentes ou antecipar contratações para atingir as 30 vidas e liberar o plano imediatamente.
Portabilidade é o direito de migrar de uma operadora para outra sem cumprir novas carências. Isso é possível quando:
Por que usar portabilidade: Se a operadora atual aplicou reajustes abusivos, tem rede credenciada ruim ou atendimento insatisfatório, você pode migrar toda a empresa para outra operadora sem que ninguém precise cumprir carência novamente.
Importante: A portabilidade precisa ser planejada com pelo menos 60 dias de antecedência do aniversário do contrato. Não é algo que se faz de uma hora para outra.
Algumas operadoras oferecem a opção de "comprar" a redução de carência. É um valor adicional pago na contratação que reduz os prazos de carência, especialmente útil para empresas com menos de 30 vidas que precisam oferecer o benefício rapidamente.
O mercado de saúde suplementar no Brasil tem dezenas de operadoras, mas elas se dividem em categorias claras conforme posicionamento, abrangência e modelo de atendimento.
One Health, Omint, Golden Cross
Focadas em atendimento VIP, hospitais de excelência e serviços diferenciados. Rede menor, mas extremamente qualificada. Preços 40% a 60% acima da média do mercado.
Para quem funciona: Empresas que querem o melhor absoluto e têm orçamento para isso. Startups bem financiadas, escritórios de advocacia, consultorias de elite.
Bradesco Saúde, SulAmérica, Amil (UnitedHealth)
Equilíbrio entre qualidade, rede ampla e preço competitivo. Redes credenciadas extensas, presença nacional consolidada, boa reputação no mercado corporativo. São as operadoras "confiáveis" — dificilmente decepcionam.
Para quem funciona: PMEs que querem segurança, boa rede credenciada e atendimento em múltiplas cidades. São escolhas sólidas para empresas que planejam crescer.
NotreDame Intermédica, Hapvida, Unimed (depende da regional)
Focam em rede própria (hospitais e clínicas da própria operadora) para reduzir custos. Preços até 30% mais baixos que as nacionais tradicionais.
Vantagem: Custo acessível, viabiliza o benefício para mais PMEs.
Atenção: A rede própria pode ser limitada em algumas regiões. A experiência varia muito dependendo da cidade. Em capitais e grandes centros, costumam funcionar bem. Em cidades menores, a rede pode ser restrita.
Para quem funciona: Empresas com foco em custo, equipe concentrada em grandes cidades, ou como primeiro plano de saúde para viabilizar o benefício rapidamente.
Alice, Prevent Senior (SP), Unimed regionais
Atuação concentrada em determinados estados ou regiões. Preços competitivos e conhecimento profundo do mercado local.
Para quem funciona: Empresas 100% locais que não precisam de abrangência nacional. Geralmente oferecem excelente custo-benefício regional.
Não existe "melhor operadora" absoluta. Existe a melhor operadora para o seu contexto:
Uma boa corretora especializada deve apresentar 3 a 5 opções contextualizadas, não apenas a mais barata.
Contratar um plano de saúde empresarial envolve documentação, análise e decisões estratégicas. Aqui está o processo completo:
Antes de pedir qualquer cotação, organize:
Muitas empresas pulam essa etapa e pedem cotação diretamente, mas isso resulta em propostas genéricas que não atendem bem às necessidades reais.
Para solicitar cotações, você precisará de:
O Questionário de Saúde é usado para identificar doenças preexistentes. Nunca omita informações — isso pode gerar negativa de cobertura futura.
Uma boa cotação deve apresentar:
Desconfie de corretoras que apresentam apenas uma opção ou empurram insistentemente uma operadora específica. Isso geralmente indica comissionamento maior, não melhor escolha para você.
Não escolha apenas pelo preço mais baixo. Avalie:
O plano mais barato pode se tornar o mais caro se aplicar reajustes agressivos no segundo ano ou se a rede for tão ruim que ninguém consegue usar.
Após decidir, você assinará:
Leia atentamente as cláusulas de reajuste por sinistralidade. Algumas são mais agressivas que outras.
A operadora fornecerá:
A vigência geralmente começa no dia 1º do mês seguinte à contratação. Coordene a implantação para que coincida com o início do mês e facilite a gestão financeira.
Muitas empresas tratam o plano de saúde como "contratou e esqueceu". Isso é erro. Estabeleça:
O plano de saúde não é estático. À medida que sua empresa cresce, o perfil da equipe muda e novas necessidades surgem, você deve adaptar o benefício.
Incluir sócios que já têm outro plano ou dependentes que não precisam de cobertura apenas para "atingir o mínimo de vidas" pode sair caro. Avalie se não compensa contratar um plano por adesão para essas pessoas ou excluí-las.
Se 90% da equipe nunca sai da cidade, pagar 20% a mais por cobertura nacional é desperdício. Avalie fazer cobertura regional para a maioria e incluir nacional apenas para quem realmente viaja.
Planos sem coparticipação podem parecer um benefício mais generoso, mas o custo fixo alto pode inviabilizar a sustentabilidade. A coparticipação bem explicada é aceita pelos colaboradores e mantém o plano viável a longo prazo.
Descobrir que a sinistralidade está alta apenas no momento do reajuste é tarde demais. Solicite relatórios trimestrais e tome ações preventivas se perceber uso excessivo.
Corretoras sérias não cobram nada da empresa — elas recebem comissão da operadora. Tentar contratar direto ou escolher sem orientação técnica frequentemente resulta em escolhas ruins e custos maiores.
O mercado de saúde suplementar está em transformação. Algumas tendências que devem impactar as PMEs:
Após a pandemia, a telemedicina se consolidou. Cada vez mais operadoras incluem consultas virtuais ilimitadas, reduzindo custos e facilitando acesso. Para empresas remotas, isso é especialmente valioso.
Operadoras estão criando produtos que misturam rede credenciada tradicional com rede digital de telemedicina, reduzindo custos em 15-25% sem perder qualidade.
Com o avanço da análise de dados, operadoras começam a oferecer precificação mais customizada baseada em hábitos de saúde da equipe (empresas que investem em wellness pagam menos).
A ANS tem aumentado fiscalização sobre reajustes abusivos. Isso é positivo para empresas, que terão mais proteção contra aumentos descabidos.
Oferecer plano de saúde empresarial não é apenas cumprir tabela de benefícios. É demonstrar cuidado genuíno com sua equipe, ferramenta de retenção de talentos e diferencial competitivo na atração de profissionais qualificados.
Mas como todo investimento, precisa de gestão estratégica. Contratar o primeiro plano que aparece ou escolher apenas pelo preço mais baixo pode gerar arrependimento caro em poucos meses.
A boa notícia é que, com as informações deste guia, você está equipado para tomar decisões informadas:
O plano de saúde não deve ser um peso financeiro que tira seu sono. Quando bem estruturado, ele se paga através da redução de turnover, aumento de produtividade (equipe saudável trabalha melhor) e satisfação geral da equipe.
Não contrate um plano "de prateleira" baseado apenas em uma proposta comercial genérica. Cada empresa tem um perfil único de necessidades, orçamento e expectativas.
A Lifebis é especializada em analisar o perfil específico da sua equipe — idades, localização, hospitais preferidos, orçamento disponível — para encontrar o equilíbrio perfeito entre rede de atendimento de qualidade e custo mensal sustentável.
Oferecemos cotação comparativa transparente de múltiplas operadoras, sem empurrar aquela que paga mais comissão. Nosso compromisso é com a sua satisfação a longo prazo, não com a venda rápida.
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