
Reni Rezende
Sócio e Diretor de Operações da Lifebis e atualmente atuando como Partner da MDS Corretora de Seguros. Iniciou sua trajetória em 1989 na Bamerindus Seguradora, acumulando sólida experiência de mercado com passagem também pelo Grupo HDI.

"Vou pegar o plano nacional. Assim não tenho dor de cabeça." Essa frase é dita em milhares de reuniões de renovação de plano de saúde todo ano. Parece a escolha segura, a decisão conservadora que protege todo mundo.
Mas aqui está o problema: se 90% da sua equipe mora na mesma cidade, trabalha no escritório local e nunca viaja a trabalho, você está pagando um prêmio de 20% a 30% a mais por uma cobertura que ninguém usa.
É como contratar um seguro contra enchente para um apartamento no 15º andar. Tecnicamente protege, mas é desperdício puro.
A escolha entre plano de saúde nacional ou regional não deveria ser automática. Deveria ser uma decisão estratégica baseada no perfil real de mobilidade da sua empresa. E a maioria das PMEs descobre tarde demais que está jogando milhares de reais no lixo todo mês pagando por uma abrangência geográfica que ninguém precisa.
Este guia vai te ensinar a fazer essa escolha com inteligência, economizar até 30% sem comprometer a segurança de ninguém, e até criar uma estratégia híbrida que oferece o melhor dos dois mundos.
O plano regional funciona com uma lógica simples: concentra a rede credenciada em uma área geográfica específica. Pode ser uma única cidade, uma região metropolitana ou um estado inteiro, dependendo da operadora.
O que define a abrangência:
A grande vantagem: o custo
Quando a operadora não precisa manter rede credenciada no Brasil inteiro, ela consegue negociar valores melhores com hospitais e clínicas locais. Essa economia vai direto para a sua mensalidade.
A economia real: Planos regionais custam entre 20% e 30% menos que planos nacionais equivalentes. Estamos falando de diferenças brutais:
Para uma empresa com 20 vidas, isso representa R$ 31.200,00 por ano que ficam no caixa em vez de ir para a operadora custear uma rede que ninguém usa.
Para quem o plano regional é ideal:
Se sua equipe é composta por pessoas que acordam, trabalham e dormem no mesmo município, o plano regional entrega exatamente a mesma qualidade de atendimento nos hospitais locais, mas por uma fração do preço.
O plano nacional é o que a maioria das pessoas imagina quando pensa em "plano de saúde". Permite atendimento eletivo (consultas, exames, procedimentos) em qualquer lugar do Brasil onde a operadora tenha rede credenciada.
O que a cobertura nacional oferece:
Para quem o plano nacional é realmente necessário:
1. Empresas com home office distribuído
Se você tem desenvolvedores em Porto Alegre, designers em Recife e analistas em Curitiba, não tem escolha. O plano precisa funcionar onde quer que essas pessoas estejam.
2. Equipes comerciais que viajam constantemente
Vendedores externos, consultores de campo, técnicos que atendem clientes em outros estados. Essas pessoas precisam poder marcar consultas onde estiverem trabalhando.
3. Executivos que transitam entre filiais
Se sua empresa tem filiais em São Paulo, Rio e Brasília, e os diretores ficam rodando entre elas, eles precisam de cobertura nacional.
4. Empresas com planos de expansão geográfica
Se você vai abrir escritórios em outros estados nos próximos 12 meses, faz sentido já ter um plano nacional estruturado.
O custo da flexibilidade
Aquela economia de 20-30% do plano regional? É isso que você paga a mais para ter cobertura nacional. A questão é: sua equipe realmente usa essa flexibilidade ou você está pagando por segurança psicológica?
Esta é a objeção número 1 que gestores de RH têm quando pensam em migrar para um plano regional. E é compreensível:
"Contratei um plano regional para economizar. Aí o João foi passar o feriado em Florianópolis, teve um infarto na praia, e descobriu que o plano não cobre nada lá. Vai processar a empresa."
Respire fundo. Isso não acontece.
A maioria dos planos regionais (especialmente do sistema Unimed e das grandes seguradoras) oferece cobertura de urgência e emergência em âmbito nacional, mesmo que a cobertura eletiva seja regional.
Como funciona na prática:
Cobertura Eletiva (Regional):
Cobertura de Urgência/Emergência (Nacional):
Traduzindo: O plano regional protege seu colaborador em viagens de férias, feriados e situações inesperadas. Ele só não permite que a pessoa planeje usar o plano fora da região de cobertura.
Essa informação muda tudo. Quando o RH entende que há proteção em emergências, a resistência ao plano regional desaparece.
Aqui está a jogada que poucos gestores conhecem: você não precisa escolher um único tipo de plano para toda a empresa. Você pode segmentar por perfil de mobilidade.
O modelo inteligente funciona assim:
Base Operacional (80% da equipe):
Contrata plano regional para:
Equipe Móvel (20% da equipe):
Contrata plano nacional para:
O resultado financeiro:
Imagine uma empresa de 25 pessoas:
Custo mensal:
Se todos tivessem plano nacional:
Economia: R$ 2.600,00 por mês = R$ 31.200,00 por ano
Você economiza sem deixar ninguém descoberto. Cada pessoa tem a cobertura adequada ao seu perfil de trabalho. E não há risco de alguém ficar sem atendimento onde precisa.
Não sabe se deve optar pelo regional ou nacional? Responda estas perguntas:
✅ Temos funcionários contratados formalmente em outros estados?
✅ A equipe viaja a trabalho mais de 3 vezes por ano?
✅ Existe filial, escritório ou operação em outra cidade?
✅ Adotamos home office com profissionais em múltiplos estados?
✅ Há previsão de expansão geográfica nos próximos 12 meses?
Se você respondeu "NÃO" para todas as perguntas, o plano regional é a escolha financeira correta. Você está desperdiçando dinheiro com cobertura que ninguém precisa.
Se você respondeu "SIM" para 1 ou 2 perguntas específicas, considere o modelo híbrido. Segmente quem precisa de nacional e quem pode ficar no regional.
Se você respondeu "SIM" para 3 ou mais, o plano nacional faz sentido. A mobilidade da equipe justifica o custo adicional.
Um alerta importante sobre a Unimed: muita gente acha que "qualquer plano Unimed é nacional". Não é.
O sistema Unimed funciona de forma federada. Existem dezenas de Unimeds independentes pelo Brasil (Unimed Campinas, Unimed Rio, Unimed BH, etc.). Quando você contrata um plano com a Unimed de uma cidade, a cobertura padrão é regional.
O intercâmbio existe, mas é limitado:
Então não assuma que "é Unimed, então funciona em qualquer lugar". Pergunte especificamente qual a abrangência plano de saúde do contrato que você está assinando.
A regra de ouro do plano de saúde empresarial é simples: não pague por coberturas que sua equipe não usa.
Se sua empresa é local, com equipe estável na mesma região, o plano regional oferece:
Isso não é "economizar cortando benefícios". É inteligência na gestão de benefícios. Você está oferecendo exatamente o que as pessoas precisam, sem pagar por extras que ninguém vai usar.
Reserve a cobertura nacional para quem realmente precisa: equipes móveis, executivos que viajam, profissionais em home office remoto. Para todos os outros, o regional entrega o mesmo valor por uma fração do preço.
A diferença plano regional e nacional não é de qualidade. É de necessidade. E pagar por necessidades que você não tem é a definição de desperdício.
Quer ver outras formas inteligentes de reduzir custos sem comprometer qualidade, como a coparticipação? Leia nosso Guia Definitivo do Plano de Saúde Empresarial.
Não tem certeza se sua equipe pode migrar para um plano regional com segurança? A Lifebis faz o mapeamento geográfico completo dos seus beneficiários gratuitamente. Analisamos endereços, perfil de mobilidade, locais de trabalho e identificamos exatamente quanto você economizaria com regional, nacional ou uma estratégia híbrida. Peça sua análise sem compromisso.
Insights para líderes e profissionais de RH