
Reni Rezende
Sócio e Diretor de Operações da Lifebis e atualmente atuando como Partner da MDS Corretora de Seguros. Iniciou sua trajetória em 1989 na Bamerindus Seguradora, acumulando sólida experiência de mercado com passagem também pelo Grupo HDI.

Existe uma estatística alarmante que deveria tirar o sono de todo empresário: estudos do setor segurador indicam que uma parcela significativa das pequenas e médias empresas que sofrem um incêndio ou desastre de grande porte acabam fechando as portas definitivamente — não durante o sinistro, mas meses depois, quando o prédio já foi reconstruído e as máquinas já foram substituídas.
Como isso é possível? Se o seguro de incêndio pagou a reconstrução do imóvel e a reposição dos equipamentos, por que a empresa quebrou mesmo assim?
A resposta é tão simples quanto cruel: o seguro patrimonial comum paga tijolo, cimento, máquina e estoque. Ele reconstrói o que foi destruído. Mas ele não paga a folha de salários dos seus funcionários. Não paga o aluguel se você for inquilino. Não paga as contas de luz, água e telefone que continuam chegando. Não paga os impostos que vencem todo mês. Não paga seus fornecedores que entregaram produtos a prazo semanas antes do sinistro.
E enquanto seu estabelecimento está sendo reconstruído — um processo que facilmente leva de seis meses a um ano — sua empresa continua tendo despesas fixas mensais, mas não tem receita nenhuma entrando. Você está operando no escuro, queimando reservas financeiras que provavelmente já eram limitadas, vendo o caixa secar dia após dia.
É aqui que entra o Seguro de Lucros Cessantes, também conhecido como seguro de perda de receita ou perda de lucros. Esse é o verdadeiro "seguro de vida" do seu CNPJ. Enquanto o seguro patrimonial reconstrói seus ativos físicos, o seguro de lucros cessantes mantém artificialmente seu fluxo de caixa funcionando, garantindo que sua empresa sobreviva financeiramente até voltar a operar.
O nome "Lucros Cessantes" acaba sendo enganoso e gera muita confusão. A maioria dos empresários pensa que essa cobertura serve apenas para compensar o lucro líquido que o dono deixou de receber durante o período de paralisação. Mas a realidade é muito mais abrangente — e mais valiosa.
A fórmula da cobertura de lucros cessantes inclui dois componentes fundamentais:
Sim, está incluído o lucro que sua empresa teria gerado se estivesse operando normalmente. Esse é o retorno do capital investido, o resultado financeiro que ficaria disponível para você distribuir entre os sócios ou reinvestir no negócio. É a remuneração pelo risco de empreender.
Aqui está o coração do seguro de lucros cessantes. As despesas fixas são todos aqueles custos que não desaparecem só porque sua empresa parou de faturar. Elas continuam chegando todo mês, implacavelmente, e incluem:
O resumo é poderoso: o seguro de lucros cessantes paga tudo o que é necessário para sua empresa não demitir funcionários, não ter o nome protestado, não perder contratos importantes e não acumular dívidas enquanto está sendo reconstruída. Ele mantém sua empresa viva financeiramente enquanto ela não pode gerar receita.
Um dos conceitos mais importantes — e mais mal compreendidos — do seguro de lucros cessantes é o período indenitário. Diferente de outras coberturas onde você contrata um valor fixo de indenização, aqui você está contratando tempo de sobrevivência.
O período indenitário é o prazo máximo durante o qual a seguradora vai cobrir suas despesas fixas e lucros cessantes após um sinistro. As opções mais comuns no mercado são de 3, 6, 9 ou 12 meses, podendo chegar a 24 meses em casos especiais de grandes indústrias ou operações complexas.
A escolha do período correto é absolutamente crítica, e aqui mora um dos erros mais comuns dos empresários: contratar apenas 3 meses de cobertura achando que será suficiente.
Pense realisticamente: se um incêndio destruir seu galpão industrial, quanto tempo você realmente precisa para voltar a operar?
Some tudo isso e você facilmente chega a 9-12 meses até estar operando em capacidade plena novamente. Se você contratou apenas 3 meses de lucros cessantes, vai receber indenização apenas até o terceiro mês após o sinistro. Do quarto mês em diante, todas as despesas fixas saem do seu bolso — enquanto a empresa ainda não fatura nada.
Um detalhe técnico importante: o período indenitário começa a contar a partir da data do sinistro, não a partir da data em que a obra começa. Isso significa que todo o tempo de perícia, aprovação da indenização e preparação para a reconstrução já está consumindo seu prazo de cobertura.
Existem duas modalidades principais de seguro para cobrir perda de receita, e é importante entender a diferença entre elas para escolher a mais adequada ao seu negócio.
Esta é a modalidade mais robusta e completa. A indenização é calculada com base na contabilidade real da empresa, usando a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) dos últimos 12 meses como referência.
A seguradora vai pegar seu lucro líquido médio mensal e suas despesas fixas médias mensais, multiplicar pelo número de meses que você ficou parado (dentro do período indenitário contratado), e pagar esse valor.
Vantagens: cobertura mais precisa e justa, reflete exatamente a realidade financeira da empresa, ideal para negócios com faturamento substancial e estável.
Desvantagens: exige contabilidade formal e organizada, processo de regulação mais demorado e burocrático, necessidade de comprovar faturamento com documentação oficial.
Ideal para: comércios estabelecidos, indústrias, empresas de serviços com faturamento consistente e contabilidade em dia.
Nesta modalidade, você contrata um valor fixo que será pago por cada dia que a empresa ficar parada, independente de comprovação contábil detalhada.
Por exemplo, você contrata R$ 500 por dia de paralisação. Se ficar 90 dias sem operar, recebe R$ 45.000, sem precisar apresentar DREs, balancetes ou comprovações de despesas.
Vantagens: processo muito mais simples e rápido, menos burocracia na regulação, não exige contabilidade formal complexa.
Desvantagens: o valor pode não refletir adequadamente suas necessidades reais, limitado para empresas maiores, geralmente tem teto máximo de dias indenizáveis.
Ideal para: profissionais liberais (consultórios, escritórios), microempresas, negócios com contabilidade simplificada, estabelecimentos com receita variável.
Se você optar pela modalidade tradicional de lucros cessantes, o cálculo do valor segurado precisa ser feito com base em números reais da sua contabilidade. Não é algo que você pode chutar ou estimar grosseiramente — a precisão aqui é fundamental tanto para não pagar prêmio a mais quanto para não ficar subcapitalizado.
1. Pegue sua DRE dos últimos 12 meses: você precisa ter acesso à Demonstração do Resultado do Exercício completa, com receitas, custos variáveis, custos fixos e resultado líquido.
2. Identifique o Lucro Líquido anual: quanto sobrou no final do período após todas as deduções?
3. Some todas as Despesas Fixas anuais: folha de pagamento completa com encargos, aluguel (se aplicável), contas mínimas, impostos fixos, honorários profissionais, etc.
4. Calcule a base anual: Lucro Líquido Anual + Despesas Fixas Anuais = Valor Base
5. Defina seu período indenitário: quantos meses você precisa de cobertura? (recomendação: mínimo 6 meses, ideal 9-12 meses)
6. Calcule o valor segurado: (Valor Base ÷ 12) × Número de Meses do Período Indenitário
Imagine uma empresa com os seguintes números anuais:
Se você contratar 12 meses de período indenitário, o valor segurado seria de R$ 960.000. Se contratar 6 meses, seria R$ 480.000.
Se sua empresa tem receita altamente sazonal — como uma sorveteria que fatura muito mais no verão, ou uma loja de decoração natalina com pico em dezembro — o cálculo precisa de ajustes.
Algumas apólices trabalham com o conceito de Turnover (giro de vendas), fazendo uma média ponderada que considera os meses de maior faturamento. Outras permitem que você contrate valores diferentes para períodos diferentes do ano.
O importante é conversar francamente com sua seguradora ou corretor sobre a realidade do seu negócio, para que a cobertura reflita suas necessidades reais em qualquer época do ano.
Um ponto crítico que frustra muitos empresários na hora de acionar lucros cessantes: a seguradora exige contabilidade oficial e formal para pagar a indenização.
Se sua empresa vende "por fora" da contabilidade, emite notas apenas de parte do faturamento, ou mantém livros contábeis desorganizados, você terá sérios problemas para comprovar o prejuízo. A seguradora vai pagar apenas sobre o que está documentado oficialmente.
Isso significa que, ironicamente, empresas que fazem contabilidade "criativa" para pagar menos impostos acabam também tendo coberturas de lucros cessantes subdimensionadas. Você não pode declarar R$ 500 mil de faturamento anual para a Receita Federal e depois pedir indenização baseada em R$ 2 milhões de faturamento real para a seguradora. O seguro cobre apenas o que está nos livros oficiais.
Um cenário particularmente delicado — e comum — é quando você aluga o espaço onde sua empresa opera. Se acontecer um incêndio ou outro sinistro que destrua o prédio, a situação fica complexa.
O proprietário do imóvel tem (ou deveria ter) seu próprio seguro patrimonial que vai cobrir a reconstrução do prédio. Mas e você, que é inquilino e opera seu negócio ali?
Você precisa do seguro de lucros cessantes para cobrir suas despesas fixas enquanto não pode operar — e isso inclui o aluguel que você continua devendo ao proprietário mesmo com o imóvel inutilizado (a não ser que o contrato de locação tenha cláusula específica suspendendo o aluguel em caso de sinistro, o que é raro).
Além disso, você pode ter perdido:
Algumas apólices de lucros cessantes incluem uma cobertura adicional extremamente valiosa para inquilinos: despesas de instalação temporária em novo endereço.
Essa cobertura reconhece que, muitas vezes, esperar a reconstrução completa do prédio original pode significar perder totalmente sua clientela e participação de mercado. Para um restaurante, uma clínica médica ou uma loja de bairro, desaparecer por um ano pode ser fatal — os clientes vão procurar alternativas e podem nunca mais voltar.
Então o seguro pode cobrir os custos extras de alugar temporariamente outro espaço, fazer as adaptações mínimas necessárias, instalar equipamentos provisórios e divulgar o novo endereço temporário. O objetivo é mitigar o prejuízo mantendo a operação funcionando de alguma forma, mesmo que reduzida, enquanto o local original é reconstruído.
Se você chegou até aqui, já entendeu que ter apenas seguro patrimonial comum é proteger pela metade. É como usar cinto de segurança no carro, mas não ter airbag — você tem alguma proteção, mas não a proteção completa.
O seguro patrimonial tradicional protege seu passado — tudo aquilo que você construiu ao longo dos anos: o prédio, as máquinas, o estoque, os móveis. Ele reconstrói seus ativos físicos. É essencial, claro, mas insuficiente.
O seguro de lucros cessantes protege seu futuro — sua capacidade de continuar existindo como empresa, de manter seus funcionários empregados, de honrar seus compromissos financeiros, de preservar seus relacionamentos comerciais e de retomar as operações sem estar quebrado financeiramente.
Juntos, esses dois pilares formam uma proteção verdadeiramente completa. Você reconstrói o que foi destruído e mantém o negócio vivo enquanto reconstrói. Um não funciona adequadamente sem o outro.
Pense desta forma: de que adianta reconstruir um prédio lindíssimo e comprar máquinas novas de última geração se, quando tudo ficar pronto, você estiver falido, endividado, sem equipe (porque teve que demitir todo mundo) e sem clientes (porque desapareceu do mercado por um ano)?
O seguro de lucros cessantes garante que, quando a obra terminar e as máquinas chegarem, você ainda terá uma empresa funcionando para ocupar aquele espaço.
Quer entender como proteger também o prédio físico e estoque contra incêndio e outros riscos? Leia nosso Guia Completo de Seguro Patrimonial.
Sua empresa sobreviveria a 6 meses sem faturamento pagando folha completa? Não corra esse risco. Peça para a Lifebis calcular o seguro de Lucros Cessantes ideal para o tamanho da sua operação e garantir a continuidade do seu negócio. Fale conosco agora.
Insights para líderes e profissionais de RH