
Reni Rezende
Sócio e Diretor de Operações da Lifebis e atualmente atuando como Partner da MDS Corretora de Seguros. Iniciou sua trajetória em 1989 na Bamerindus Seguradora, acumulando sólida experiência de mercado com passagem também pelo Grupo HDI.

Você tomou a decisão: o plano de saúde vai migrar para o modelo de coparticipação. A conta fechou, o financeiro aprovou, a diretoria concordou. Mas agora vem a parte mais difícil: comunicar essa mudança para a equipe sem gerar revolta.
A verdade é que qualquer alteração em benefícios gera ansiedade. As pessoas sentem instintivamente que estão "perdendo alguma coisa", mesmo quando os números provam o contrário. O colaborador ouve "coparticipação" e traduz mentalmente como "vou ter que pagar consulta".
O papel do RH aqui não é apenas anunciar a mudança. É transformar a narrativa de uma aparente perda em uma estratégia inteligente de sustentabilidade. Porque a realidade é esta: sem a coparticipação, vocês teriam duas opções ruins — reduzir drasticamente a qualidade do plano ou aumentar o desconto em folha. Com ela, mantêm um plano de primeira linha pagando menos no fixo.
Este guia vai mostrar como fazer essa comunicação sem queimar o filme do RH e, melhor ainda, como transformar resistência em compreensão.
O primeiro erro fatal é apresentar a coparticipação como uma medida de contenção de custos. Isso coloca a equipe imediatamente na defensiva. Parece que eles estão pagando pelo erro de gestão da empresa.
A virada de chave está em reposicionar a coparticipação como um convite ao uso responsável e sustentável.
O argumento funciona assim: "Quando o plano é 'tudo incluso', muita gente usa sem necessidade real. Consultas duplicadas, exames repetidos, idas ao pronto-socorro por coisas que poderiam esperar até segunda-feira. Tudo isso vai para a conta da sinistralidade. E sabe o que acontece no ano seguinte? O reajuste vem nas alturas, para todos, usando ou não."
Com a coparticipação, quem usa mais contribui um pouco mais. Quem usa conscientemente economiza. E o benefício? O reajuste anual fica controlado, porque a sinistralidade está sob controle. Todos saem ganhando no médio prazo.
Compare com situações que a equipe já conhece:
Seguro de Carro: Você tem uma franquia. Se bater o carro, paga uma parte. Mas o seguro continua te protegendo do prejuízo total. Ninguém acha que o seguro "não presta" por causa da franquia.
Conta de Luz: Você paga o que consome, não um valor fixo altíssimo mesmo quando viaja e a casa fica vazia. A coparticipação funciona assim: você paga quando usa, e paga muito menos que o custo real.
Essas comparações tiram a carga emocional da palavra "coparticipação" e colocam o conceito em terreno familiar.
Agora entre no que realmente importa para quem recebe contracheque todo mês: o desconto em folha vai diminuir.
Se a empresa trabalha com plano contributário (onde o colaborador paga uma parte da mensalidade), essa é sua arma de ouro. A mensalidade base do plano com coparticipação é 20% a 30% menor que a do plano tradicional.
Monte um exemplo prático e numérico:
"Até agora, descontávamos R$ 150,00 do seu salário todo mês para custear o plano. Com a mudança para coparticipação, esse desconto cai para R$ 100,00. São R$ 50,00 a mais no seu bolso, todo mês. No ano, isso representa R$ 600,00 de economia garantida."
"Agora, quantas vezes você vai ao médico por ano? Se for 2 ou 3 vezes, pagando R$ 30,00 por consulta, você gasta R$ 60,00 a R$ 90,00. Ainda assim, seu saldo positivo no final do ano é de mais de R$ 500,00."
Quando você coloca o dinheiro na mesa, a resistência diminui. As pessoas entendem números concretos muito melhor que conceitos abstratos.
Se o plano não é contributário (a empresa paga 100%), o argumento muda, mas continua forte: "Com a economia que a empresa terá, conseguimos manter o plano mesmo diante dos reajustes agressivos do setor. A alternativa seria reduzir cobertura ou mudar para uma operadora inferior."
Esta é a objeção que tira o sono de todo mundo. O colaborador imagina: "Vou descobrir um câncer e receber uma conta de R$ 30.000,00 de coparticipação. Vou falir."
Esta é a hora de trazer segurança psicológica com informação clara.
Explique o conceito do teto máximo de coparticipação. Use palavras simples e diretas:
"Fique tranquilo. Todas as operadoras estabelecem um valor máximo que pode ser cobrado de você por mês, não importa o que aconteça. Esse teto geralmente fica entre R$ 500,00 e R$ 1.000,00, dependendo do contrato."
"Na prática, funciona assim: se você precisar de uma cirurgia que custa R$ 80.000,00, e a coparticipação calculada seria R$ 16.000,00, você só paga o teto — por exemplo, R$ 500,00 naquele mês. A operadora cobre todo o resto."
"Isso significa que, mesmo em situações gravíssimas — UTI prolongada, tratamento oncológico, cirurgias complexas — você nunca vai receber uma conta impagável. O plano continua te protegendo contra gastos catastróficos."
Esse é o argumento que converte céticos em apoiadores. Quando as pessoas entendem que há um limite de exposição financeira, o medo desaparece.
Comunicar mudança de benefícios exige mais do que um e-mail corporativo frio. Você precisa de um kit completo de materiais que antecipe dúvidas e traga transparência.
Não fale em "percentuais". Fale em reais. Monte uma tabela simples:
Quando as pessoas veem que os valores são acessíveis, a ansiedade cai pela metade.
Crie um documento de perguntas frequentes que cubra:
Disponibilize esse FAQ no portal do colaborador, na intranet, no grupo de WhatsApp interno. Deixe acessível.
Nunca, em hipótese alguma, comunique mudança de plano de saúde apenas por e-mail. Isso gera boato, desinformação e revolta.
Marque uma reunião geral (town hall, se a empresa for grande, ou por equipes se for menor) e apresente:
Abra para perguntas ao vivo. As dúvidas que aparecerem vão revelar os pontos que precisam ser reforçados na comunicação.
Se possível, crie um infográfico ou apresentação em PDF que resuma:
Material visual é compartilhado internamente e ajuda na compreensão.
Se a sua empresa está usando a coparticipação para subir de categoria de plano, esse é seu argumento de ouro.
Muitas PMEs estão presas em operadoras regionais básicas, com rede credenciada limitada, porque o custo de um plano nacional top seria impagável. A coparticipação permite fazer esse upgrade.
Use este pitch:
"Estamos adotando a coparticipação justamente para poder oferecer a vocês um plano Bradesco Nacional (ou Amil, ou SulAmérica), com acesso aos melhores hospitais do Brasil. Isso era financeiramente inviável no modelo antigo. Agora, vocês podem ir ao Sírio-Libanês, Einstein, ou qualquer hospital de referência, pagando uma mensalidade fixa menor e uma pequena taxa quando usarem."
Quando você posiciona a coparticipação como a ponte para um plano melhor, a resistência se transforma em entusiasmo. As pessoas entendem que não estão perdendo, estão ganhando acesso.
Se não for o caso de upgrade, use o argumento da manutenção: "A alternativa seria migrar para uma operadora mais barata e inferior. Com a coparticipação, mantemos o padrão que vocês já conhecem."
Colaboradores não são crianças. Eles entendem que planos de saúde estão caros, que reajustes são agressivos, que a empresa precisa encontrar soluções sustentáveis. O problema nunca é a mudança em si. O problema é a falta de clareza sobre o que está mudando e por quê.
Quando você trata a equipe como adulta, mostra os números, explica os ganhos e as proteções, e abre espaço para diálogo, a resistência inicial se transforma em compreensão. As pessoas aceitam a coparticipação quando entendem que é a ferramenta que mantém o benefício viável a longo prazo.
Não esconda informações. Não minimize preocupações. Não mande um e-mail genérico na sexta-feira à tarde. Comunique com antecedência, transparência e empatia.
Precisa dos valores de referência para montar sua apresentação interna? Consulte nossa Tabela de Coparticipação: Quanto custa uma consulta ou exame? com dados atualizados para 2026.
Quer ajuda para montar a apresentação de implantação do plano para sua equipe? Clientes Lifebis recebem material de apoio completo para endomarketing: slides prontos, FAQ personalizado, simulações de cenários e scripts de comunicação. Fale conosco e garanta uma transição tranquila e sem ruídos internos.
Insights para líderes e profissionais de RH