Seguro para Home Office: Equipamentos na casa do funcionário estão cobertos?

Seguro para Home Office: Equipamentos na casa do funcionário estão cobertos?

A pandemia de 2020 acelerou uma transformação que já estava em curso, mas que muitas empresas ainda resistiam: o trabalho remoto deixou de ser exceção e tornou-se regra para milhões de brasileiros. Hoje, sua empresa pode ter adotado o modelo híbrido (alguns dias em casa, alguns no escritório) ou até mesmo o modelo 100% remoto, sem escritório físico.

Do ponto de vista operacional, isso trouxe benefícios inquestionáveis: redução de custos com aluguel e manutenção de espaços físicos, acesso a talentos em qualquer cidade do país, maior flexibilidade para os funcionários. Mas do ponto de vista patrimonial e de gestão de riscos, criou um desafio completamente novo.

Você pode facilmente ter, neste momento, R$ 500 mil em ativos corporativos — notebooks de última geração, MacBooks, iPhones corporativos, iPads, monitores externos, mouses, teclados, webcams — espalhados em 50 residências diferentes, de funcionários que moram em bairros diversos, com níveis variados de segurança física, em cidades distintas.

E aqui surge a pergunta que deveria estar tirando o sono de todo CFO e gerente de TI: esses equipamentos estão protegidos pelo seguro da empresa?

A suposição perigosa — e extremamente comum — é pensar: "Eu tenho Seguro Empresarial com cobertura de roubo e incêndio. Logo, tudo que pertence à empresa está protegido, não importa onde esteja."

O balde de água fria vem quando acontece o primeiro sinistro. Um funcionário tem a casa arrombada e levam o notebook corporativo de R$ 8 mil. Você aciona o seguro empresarial e ouve da seguradora: "O sinistro ocorreu fora do local de risco descrito na apólice. Não há cobertura."

Como assim? A resposta está em um detalhe técnico fundamental das apólices empresariais: elas são geográficas, não patrimoniais. O seguro tradicional protege o que está dentro de um endereço específico, não tudo que tem o logo da sua empresa gravado.

A regra do "Local de Risco" vs. "Bens em Locais de Terceiros"

Para entender por que seu seguro empresarial padrão provavelmente não cobre equipamentos em home office, você precisa compreender como funcionam os conceitos de "Local de Risco" e "Interesse Segurado" nas apólices patrimoniais.

O conceito de Local de Risco

Quando você contrata uma apólice de Seguro Empresarial Multirrisco, a seguradora faz uma análise detalhada do risco específico daquele endereço:

  • Qual o bairro? Tem alto índice de criminalidade?
  • O prédio tem vigilância 24 horas?
  • Existem grades, alarmes, câmeras de segurança?
  • A instalação elétrica está em conformidade?
  • Há sistema de combate a incêndio?
  • Quais as construções vizinhas? (Uma marcenaria ao lado aumenta risco de incêndio)

Com base nesses fatores geográficos e estruturais, a seguradora precifica o risco e define as coberturas. A apólice então fica vinculada àquele endereço específico — o "Local de Risco" descrito na primeira página do contrato.

O raciocínio técnico é: "Estamos segurando este prédio, neste endereço, com estas características de segurança". Se você tirar o bem dali, todo o cálculo de risco muda. Um notebook dentro de um escritório comercial com vigilância 24h em bairro nobre tem um risco X. O mesmo notebook na casa de um funcionário em bairro periférico, sem segurança específica, tem um risco Y completamente diferente.

Por isso, a regra geral é: saiu do endereço segurado, perdeu a cobertura.

A exceção: extensão para Bens em Locais de Terceiros

Algumas seguradoras, reconhecendo que empresas ocasionalmente precisam deslocar bens para outros locais, oferecem uma cláusula adicional chamada "Bens em Locais de Terceiros" ou "Extensão de Cobertura para Outros Locais".

Essa cláusula permite que equipamentos da empresa mantenham cobertura mesmo quando temporariamente fora do local de risco principal. Mas atenção: essa extensão tem limitações importantes:

Limite de valor: geralmente cobre apenas 10% a 20% do valor total segurado. Se você tem R$ 2 milhões em ativos cobertos no escritório, pode ter apenas R$ 200 mil de cobertura para bens fora dele.

Temporariedade: a cláusula pressupõe que a situação é temporária — equipamento enviado para cliente, material em feira comercial, laptop em viagem de negócios. Não foi desenhada para a situação permanente de home office.

Comprovação: pode exigir controle rigoroso de onde cada bem está, com termo de responsabilidade assinado.

Coberturas reduzidas: geralmente mantém apenas incêndio e roubo com arrombamento (furto qualificado), excluindo outras coberturas importantes.

Para o modelo de home office permanente ou híbrido, essa extensão é insuficiente. Você precisa de uma solução específica.

A solução ideal: Seguro de Riscos Diversos (Equipamentos Portáteis)

Para empresas que realmente operam com equipes remotas e precisam proteger frotas de notebooks, celulares, tablets e outros equipamentos móveis, existe uma categoria específica de seguro muito mais adequada: o Seguro de Riscos Diversos — Equipamentos Portáteis, também conhecido como "All Risks" para equipamentos.

Esta não é uma adaptação ou extensão do seguro empresarial tradicional. É um produto completamente diferente, desenhado desde o princípio para cobrir equipamentos que, por natureza, circulam.

Como funciona

Em vez de segurar um local (o escritório), você segura uma frota de equipamentos identificados individualmente — cada notebook tem seu número de série relacionado na apólice, cada celular é discriminado com marca, modelo e IMEI.

A seguradora não avalia o risco do endereço da empresa. Ela avalia o risco inerente àquele tipo de equipamento circulando no Brasil (ou no mundo, se você contratar cobertura internacional).

Vantagens fundamentais

1. Territorialidade ampla

O equipamento está coberto em qualquer lugar dentro do território contratado:

  • Na casa do funcionário em qualquer cidade do Brasil
  • No coworking alugado pela empresa
  • No aeroporto durante viagem corporativa
  • No café onde o funcionário decidiu trabalhar
  • No carro a caminho do cliente
  • No hotel durante evento

Não importa onde o sinistro aconteça. Se o equipamento está relacionado na apólice, está coberto.

2. Coberturas mais amplas

Além das coberturas tradicionais (incêndio, roubo), o seguro de equipamentos portáteis geralmente inclui:

  • Danos Elétricos: queima por oscilação de energia, raio indireto, curto-circuito
  • Queda Acidental: notebook cai da mesa e quebra a tela
  • Danos por Líquidos: derramou café no teclado
  • Quebra Acidental: tela rachada, carcaça danificada em queda
  • Roubo Simples: em alguns casos, até roubo na rua está coberto

3. Gestão simplificada

Você mantém uma relação atualizada dos equipamentos segurados. Quando um funcionário entra, adiciona o equipamento dele na apólice. Quando sai, remove. A seguradora ajusta o prêmio mensalmente conforme a frota varia.

4. Sinistro sem vinculação geográfica

Não importa se o roubo foi em São Paulo, Porto Alegre ou Manaus. O sinistro é processado normalmente porque a apólice não está vinculada a um local específico.

Custo vs. Benefício

Sim, o seguro de equipamentos portáteis é mais caro que o seguro empresarial tradicional — justamente porque cobre riscos maiores. Mas para empresas que dependem criticamente desses equipamentos para operar, o investimento é absolutamente justificável.

Considere: um MacBook Pro corporativo custa entre R$ 12 mil e R$ 20 mil. Se você tem 30 deles distribuídos com funcionários e um é roubado sem cobertura, já perdeu o equivalente a vários anos de prêmio do seguro específico.

E se o funcionário for roubado na rua?

Esta é uma questão crítica que diferencia drasticamente os dois tipos de cobertura e que muitas empresas só descobrem no momento errado.

Seguro Empresarial com Extensão para Home Office

Quando você contrata a extensão de "Bens em Locais de Terceiros" na apólice empresarial, a cobertura geralmente funciona assim:

Coberto: Roubo ou furto qualificado que acontece dentro da residência do funcionário, com sinais claros de arrombamento — porta forçada, janela quebrada, fechadura danificada.

Não coberto:

  • Roubo na rua enquanto o funcionário caminha com o notebook na mochila
  • Roubo dentro do carro estacionado (a menos que haja quebra de vidro)
  • Furto simples sem vestígios (deixou na mesa do café e desapareceu)
  • Assalto no transporte público

O raciocínio é que a extensão cobre o equipamento "temporariamente depositado em local de terceiro" (a casa), mas não cobre o trânsito ou situações de maior exposição.

Seguro de Equipamentos Portáteis

Já no seguro específico de equipamentos, a cobertura acompanha o bem onde quer que ele esteja:

Coberto:

  • Roubo na rua mediante violência ou ameaça (assalto)
  • Roubo dentro de veículo com arrombamento comprovado
  • Furto qualificado em qualquer local (com sinais de arrombamento)
  • Roubo dentro da residência do funcionário
  • Assalto em transporte público
  • Roubo em estabelecimentos comerciais

Geralmente não coberto:

  • Furto simples sem vestígios (sumiço misterioso)
  • Esquecimento do equipamento (deixou no taxi, no restaurante)
  • Extravio ou perda sem crime envolvido

O veredito para diferentes perfis

Para equipes de escritório híbrido: onde os funcionários trabalham principalmente de casa e vão ocasionalmente ao escritório, a extensão de "Bens em Locais de Terceiros" pode ser suficiente, desde que bem dimensionada.

Para equipes de vendas externas: vendedores que visitam clientes diariamente, circulam pela cidade com notebooks e tablets, estacionam em locais diversos — o seguro de equipamentos portáteis é absolutamente obrigatório. A exposição é alta demais para depender apenas de cobertura residencial.

Para nômades digitais: empresas 100% remotas cujos funcionários trabalham de cafés, coworkings, viajam constantemente — apenas o seguro de equipamentos portáteis oferece proteção adequada.

Responsabilidade Civil: e se o funcionário se machucar?

O home office trouxe uma questão trabalhista e securitária nova: acidentes de trabalho que acontecem na casa do funcionário.

O risco trabalhista

Imagine esta situação: você forneceu uma cadeira ergonômica para o funcionário usar em home office. A cadeira tem um defeito, quebra, e o funcionário sofre uma queda que causa lesão na coluna. Ele fica afastado pelo INSS, mas depois move uma ação trabalhista contra a empresa alegando que o acidente foi causado por equipamento inadequado fornecido pelo empregador.

Ou outro cenário: a empresa exige jornada de trabalho das 8h às 18h em home office. O funcionário sofre uma descarga elétrica ao ligar o notebook corporativo devido a problema na instalação elétrica da casa dele. Isso é acidente de trabalho?

A jurisprudência trabalhista ainda está se formando sobre esses casos, mas há precedentes reconhecendo que acidentes em home office durante horário de trabalho e com equipamentos fornecidos pela empresa podem sim ser caracterizados como acidente de trabalho.

A cobertura de RC Empregador

O Seguro de Responsabilidade Civil Empregador (RC Empregador) existe justamente para proteger a empresa contra ações judiciais movidas por funcionários que sofreram acidentes de trabalho e alegam que a empresa teve culpa — por negligência, fornecimento de equipamento inadequado, falta de treinamento, etc.

Tradicionalmente, essa cobertura foi desenhada pensando em acidentes dentro das dependências da empresa: funcionário que escorrega no chão molhado da fábrica, operador que se machuca em máquina sem proteção adequada, trabalhador que cai de altura em construção.

A adaptação para home office

Com a massificação do trabalho remoto, seguradoras começaram a adaptar essa cobertura. Mas é fundamental verificar especificamente com seu corretor se a apólice de RC Empregador da sua empresa estende expressamente a proteção para acidentes ocorridos em regime de teletrabalho comprovado.

Alguns pontos que a apólice deveria esclarecer:

  • Acidentes em home office estão cobertos?
  • Há exigência de que a empresa tenha fornecido os móveis ergonômicos?
  • É necessário laudo de vistoria das condições de trabalho na residência?
  • A cobertura vale apenas em horário de expediente?
  • Acidentes em coworkings estão incluídos?

Se sua empresa tem centenas de funcionários em home office e sua apólice de RC Empregador não contempla explicitamente essa modalidade, você tem um gap de cobertura importante que precisa ser corrigido.

O "Termo de Responsabilidade" (Asset Agreement)

Ainda que você contrate o melhor seguro do mercado para seus equipamentos em home office, existe uma questão administrativa e financeira que precisa ser endereçada: quem paga quando há sinistro?

O problema da franquia

Todo seguro de equipamentos tem franquia — um valor mínimo que fica por conta do segurado em cada sinistro. Pode ser R$ 500, R$ 1.000 ou um percentual do valor do bem, com mínimo estabelecido.

Quando um equipamento é roubado ou danificado, a seguradora paga a indenização menos a franquia. Mas quem arca com essa franquia: a empresa ou o funcionário?

Diferentes cenários

Caso 1: Assalto à mão armada

Funcionário está indo trabalhar em um coworking, é assaltado na rua e levam o notebook corporativo. Claramente ele foi vítima de crime violento sem nenhuma culpa. Nesse caso, o justo é que a empresa pague a franquia.

Caso 2: Negligência evidente

Funcionário deixa o notebook corporativo dentro do carro, visível no banco traseiro, em estacionamento de rua, por várias horas. Quebram o vidro e levam o equipamento. Aqui há clara negligência do funcionário. A empresa pode argumentar que a franquia deveria ser custeada por ele.

Caso 3: Dano acidental

Funcionário derruba café quente no notebook e queima o teclado. Não foi intencional, mas também não foi caso fortuito externo. Como proceder?

O Asset Agreement

Para evitar discussões e problemas jurídicos posteriores, a melhor prática é ter um Termo de Comodato e Responsabilidade (também chamado de Asset Agreement) assinado pelo funcionário no momento em que recebe o equipamento corporativo.

Este termo deve estabelecer claramente:

Obrigações do funcionário:

  • Manter o equipamento em local seguro
  • Não deixar à vista em veículos
  • Fazer backup regular dos dados
  • Reportar perda ou roubo imediatamente
  • Cooperar com investigação do sinistro

Responsabilidade financeira:

  • Em caso de roubo ou assalto: empresa paga franquia
  • Em caso de negligência comprovada: funcionário paga franquia
  • Em caso de dano acidental: definir responsabilidade conforme gravidade

Situações não cobertas:

  • Furto simples (sumiço sem vestígios) geralmente não tem cobertura em nenhuma apólice
  • Esquecimento ou extravio não são cobertos
  • Nesses casos, estabelecer se o funcionário repõe o equipamento

Exemplos práticos

Algumas empresas adotam políticas como:

  • Primeira ocorrência: empresa assume integralmente, independente do tipo
  • Segunda ocorrência: franquia é dividida 50/50
  • Terceira ocorrência: funcionário assume integralmente e pode sofrer sanções administrativas

Outras estabelecem análise caso a caso, com comitê avaliando as circunstâncias do sinistro.

O importante é ter regras claras, documentadas e assinadas antes que o primeiro sinistro aconteça.

Atualize sua apólice para a nova realidade

A transformação do trabalho aconteceu. O escritório centralizado deu lugar ao modelo distribuído. Mas muitas empresas ainda operam com apólices de seguro desenhadas para a realidade de 2019 — quando todos os equipamentos ficavam trancados dentro do escritório corporativo com vigilância 24 horas.

O patrimônio da sua empresa não está mais entre quatro paredes. Sua apólice também não pode estar.

Esta não é uma questão menor ou secundária. Dependendo do seu segmento e tamanho de equipe, você pode ter facilmente:

  • R$ 500 mil a R$ 2 milhões em equipamentos de TI distribuídos
  • 50 a 200 funcionários trabalhando remotamente
  • Ativos circulando por dezenas de cidades diferentes
  • Exposição a riscos que simplesmente não existiam antes

E se você ainda confia que o seguro empresarial contratado há anos cobre automaticamente tudo isso, está operando com uma falsa sensação de segurança que pode custar muito caro.

O checklist de revisão

Agende uma revisão da sua apólice empresarial com seu corretor e faça estas perguntas específicas:

  1. Quantos equipamentos temos atualmente em home office? Faça o inventário real.
  2. Qual o valor total desses ativos? Some notebooks, monitores, celulares, tablets, periféricos.
  3. Nossa apólice atual cobre bens fora do escritório? Peça para o corretor mostrar exatamente onde isso está escrito.
  4. Se cobre, qual o limite de valor? 10% do total segurado pode ser insuficiente.
  5. A cobertura vale para roubo na rua ou só dentro da residência? Isso muda tudo para equipes externas.
  6. Precisamos contratar seguro específico de equipamentos portáteis? Para frotas grandes, quase sempre a resposta é sim.
  7. Nossa RC Empregador cobre acidentes em home office? Gap crítico que muitas empresas ignoram.
  8. Temos Termo de Responsabilidade assinado pelos funcionários? Proteção jurídica essencial.

Não espere o primeiro notebook ser roubado para descobrir que a cobertura simplesmente não existia. Faça a revisão agora, enquanto ainda é planejamento preventivo e não gestão de crise.

Quer entender melhor a diferença entre roubo e furto qualificado no contexto de equipamentos móveis? Leia nosso artigo sobre Roubo vs. Furto Qualificado.

Você tem mais de 10 notebooks ou tablets com funcionários em Home Office? Envie a lista de equipamentos (marca, modelo, número de série) para a Lifebis. Cotamos uma apólice de Frota de Equipamentos que protege seus ativos em todo o território nacional, com cobertura em trânsito e processo simplificado de sinistro. Solicite sua cotação agora.